Por paloma.savedra

Rio - O motorista do BRT Transcarioca, Cláudio Hamilton, negou, em depoimento à 21ª DP (Bonsucesso), que tenha visto a menina de 6 anos presa em uma porta do coletivo, no início da noite desta quinta-feira. O condutor, que abandonou o local sem prestar esclarecimentos, afirmou que ouviu gritos avisando sobre a criança, porém, ao conferir a imagem pelo retrovisor, não viu nada. A polícia aguarda as imagens fornecidas pela empresa Santa Maria, consorciada ao BRT Rio. 

Motorista é demitido após menina ficar presa em ônibus do BRT

O condutor alegou ainda que deixou o local para registrar as ameaças de adolescentes que estavam no ônibus. Também em depoimento, ele alegou que pouco antes de a menina ter ficado presa, ele chegou a ser ameaçado por alguns jovens que estavam no ônibus. O grupo teria insistido para que ele parasse fora do ponto e, de acordo com seu relato, um deles o chutou. 

Motorista do BRT%2C Claudio Hamilton%2C prestou depoimento na 21ª DP%2C por ter andado de uma estação a outra com uma menina presa na portaAndré Mourão / Agência O Dia

O delegado da 21ª DP, Delmir Gouvea, ressaltou a importância da análise das imagens para indicar o que ocorreu. Ainda segundo informações, a menina não teria ficado pendurada. A criança já fez exame no Instituto Médico Legal (IML) e a polícia aguarda os resultados. 

Motorista foi demitido por justa causa

Menina de 6 anos ficou pendurada do lado de fora do coletivo do BRT TransoesteAlexandre Vieira / Agência O Dia

Logo após o episódio, a empresa Santa Maria, consorciada ao BRT Rio, demitiu por justa causa, o motorista. De acordo com relatos da família da menina e de outros passageiros, ela chegou a ficar pendurada do lado de fora do coletivo, entre as estações Parque União e Aroldo Melodia, na Zona Norte do Rio.

Apesar do pedido de passageiros, o motorista só parou após cerca de dois quilômetros. Ele abandonou o local sem prestar esclarecimentos e atendimento. A criança e a bisavó sofreram ferimentos leves. O caso foi registrado como lesão corporal culposa, quando não há intenção de matar.

A mãe da menina, Jéssica Florêncio Lira, de 23 anos, achou justa a decisão da empresa em demitir o motorista. "Acho justo (a demissão), pois ela tinha obrigação de parar".

Em depoimento na 21ªDP (Bonsucesso), a tia da criança, Michele Florêncio, 30, contou que ao ver a situação gritou e chegou a agarrar o motorista mandando que ele parasse. Ele se negou, dizendo que apenas poderia parar na estação seguinte, Aroldo Melodia, já na Ilha do Governador, a cerca de dois quilômetros de onde a família ia desembarcar.

Ao descer do ônibus, Cláudio foi embora sem prestar esclarecimentos sobre ocorrido. De acordo com policiais do 22ºBPM (Maré), o motorista não estava no local na chegada da polícia. "Ele soltou e disse para os fiscais: 'olha eles (passageiros) querem falar com vocês' e foi embora", acusou Jéssica.

Segundo a mãe, apesar da menina não ter sofrido nenhuma lesão, ela ainda está em estado de choque. "Fico feliz por ela estar bem, mas chateada com a situação. Ela está com febre, dor de barriga e muito nervosa. É revoltante", desabafou a mãe, afirmando que a filha não quer mais viajar no ônibus do BRT. "A menina disse que ainda quer ver o filme, mas que nunca mais quer andar de BRT. E eu também", diz.

A família da menina de 6 anos%2C que ficou pendurada do lado de fora de um ônibus do BRT Transcarioca%2C registrou o caso na 21ªDP (Bonsucesso)Reprodução / TV Globo


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