Por tabata.uchoa

Rio - A cada mês que passa, a cidade ganha novos limites na paisagem vertical. De um a cinco estrelas, hotéis de diversos tamanhos vão sendo lançados, aproveitando a demanda turística da cidade, que sediará a Olimpíada de 2016. Até lá, o Rio terá que cumprir o compromisso firmado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) de ofertar 40 mil quartos nos Jogos — incluindo as instalações da Vila dos Atletas.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), em 2010 havia cerca de 28 mil quartos de hotéis na cidade. De lá para cá, foram criadas 15 mil acomodações — um incremento de pouco mais de 50% na oferta. A associação afirmou que o compromisso de oferecer 40 mil quartos será superado.

Na Rua do Riachuelo%2C na Lapa%2C um casarão tombado foi restaurado e ainda ganhou um anexo%3A setor hoteleiro está aquecido com a Olimpíada Estefan Radovicz / Agência O Dia

A prefeitura estima que 75 novos hotéis com 19.500 quartos estejam em operação quando os Jogos Olímpicos começarem, em agosto de 2016 — uma expansão de 60% no número total em apenas seis anos. A maior parte dos novos investimentos hoteleiros se concentra na Barra da Tijuca e no Recreio. A região receberá o lançamento de alguns dos hotéis mais luxuosos da cidade, como os da rede Hilton e Grand Hyatt.

A estimativa do Ministério do Turismo é de que entre 250 mil e 350 mil estrangeiros desembarquem na cidade. A expectativa é que, para os jogos, a rede hoteleira fique 100% ocupada. Segundo Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ, a expansão na rede hoteleira será uma oportunidade para ajudar a revitalizar áreas da cidade, como a Região Portuária, junto com os investimentos do Porto Maravilha.

“Não tem uma cidade no mundo em que o porto tenha sido revitalizado e a rede hoteleira não tenha tido um crescimento expressivo. O Porto de Buenos Aires concentra um grande número de hotéis modernos edificados conforme o porto vai sendo remodelado, por exemplo”, afirmou. Para Alfredo, o desafio será alimentar a oferta de quartos disponíveis após o fim da Olimpíada. “Depois do evento, vamos ter de manter ativa essa ocupação de oferta, para o mercado se manter”, comentou.

No dia 29 de abril, a associação vai se reunir com representantes do setor hoteleiro de cidades europeias, como Barcelona e Londres, para traçar estratégias a partir da experiência dessas cidades em grandes eventos. Não são apenas as grandes redes de hotéis que estão se beneficiando com o boom na rede. Em Santa Teresa, o número de lançamentos de pousadas e casas com acomodações vêm modificando até o perfil do bairro.

“Hoje em dia qualquer comerciante aqui em Santa precisa saber falar inglês. Muita gente que mora em casarão e está transformando o imóvel para lucrar com isso”, diz Sérgio Fonyat, que transformou o primeiro andar de sua casa em uma pousada.

Barra corre para se tornar um polo

Por ter a melhor oferta em terrenos, a Barra da Tijuca concentra a maior parte dos lançamentos de hotéis. Dos 16 novos mil quartos que serão criados na cidade até dezembro, 11.500 ficaram na região, segundo dados fornecidos pela ABIH - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. “A Barra vai virar um polo e precisa ser tratado como um novo destino hoteleiro na cidade”, afirmou o presidente da associação, Alfredo Lopes.

O hotel Grand Hyatt, um dos 5 estrelas que serão lançados na Barra ainda neste ano, foi alvo de protestos de moradores na época em que foi aprovada sua construção, por estar próximo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Reserva. Porém, segundo o biólogo David Zee, o empreendimento pode trazer benefícios na preservação do local.

“Na hora em que um empreendimento gera recursos e se beneficia da APA, ele também terá que gerar manutenção, no sentido de recuperar e preservar a vegetação. Ainda mais um hotel de luxo”, afirmou o biólogo.

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