Por tabata.uchoa

Rio - A reintegração de posse do edifício Hilton Santos, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, ocupado desde a última terça por famílias sem-teto, deve acontecer amanhã, segundo informações da Polícia Militar. Ontem, duas viaturas do 2º BPM (Botafogo) estavam estacionadas em frente ao prédio, mas o controle de entrada e saída era feito pelos próprios ocupantes.

Ontem%2C o controle de entrada e saída era feito pelos próprios ocupantes do edifício no Morro da ViúvaCarlos Moraes / Agência O Dia

O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB/RJ, Marcelo Chalreo, esteve no local com outros advogados e avalia que a ordem de reintegração de posse ainda pode ser revertida na Justiça antes da ação da PM. Segundo Chalreo, a Comissão está tentando encontrar uma solução para o caso.

De acordo com a decisão do Tribunal de Justiça do Rio, além da Polícia Militar e da Guarda Municipal, a reintegração de posse deve ser realizada com o apoio de agentes das secretarias municipais de Direitos Humanos e Assistência Social. A ordem judicial foi expedida na última quinta-feira após pedidos do Flamengo, dono do prédio, e a REX, empresa de Eike Batista que arrendou o local por 25 anos para transformá-lo em hotel mas não iniciou as obras.

Vizinhos levam mantimentos aos sem-teto

Alguns vizinhos foram ontem ao prédio levar doações de roupas e alimentos para os cerca de 100 ocupantes. Teresa Ramos, de 53 anos, contou que passou sábado no local para perguntar o que mais precisavam e, ontem, acompanhada de dois filhos adolescentes, levou leite e roupas. “Essa é uma luta mais que justa. Esse prédio está vazio, caindo aos pedaços, e tanta gente sem ter onde morar”, disse a moradora do bairro. Nem todos os vizinhos, no entanto, apoiam a ocupação.“Eles têm que pedir mais trabalho e moradia, sim, mas não com invasão”, disse Clara de Jesus, 59.

Um dos ocupantes, Sílvio Ferreira, 52, conta que está inscrito em programas habitacionais há anos, mas continua sem ter onde morar. “Já morei nas ocupações da Cedae, na Telerj, na Fábrica Tuffy, mas é difícil viver desse jeito”, conta ele, que tem de pagar pensão a três filhos e ganha R$ 500 por mês.

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