Por paloma.savedra

Rio - A secretaria municipal de Educação de São Gonçalo instaurou sindicância nesta segunda-feira para apurar o desvio de verbas destinadas à compra de alimentos em creches conveniadas da prefeitura. Ao todo, são 42 — que atendem 3.600 crianças —, e, segundo a Polícia Civil, oito delas são suspeitas de envolvimento no esquema. 

Empresas são investigadas por desvio de verbas em creches

Segundo a secretaria, não há informações de que funcionários do órgão tenham participação no esquema. A prestação de contas é feita por cada instituição e o órgão checa no sistema da Receita Federal se as notas pertencem à empresas ativas ou não. A verba só é repassada após a prestação de contas das instituições.

Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em oito creches suspeitas de desvio de verbas destinadas à compra de alimentosDivulgação

"Estamos abrindo processo de sindicância. Não temos informações sobre possível participação de funcionários da secretaria. Estamos à disposição da polícia e do Ministério Público para atender as solicitações e colocamos toda a documentação das instituições à disposição para averiguação", declarou a secretária de Educação, Vaneli Chaves.

Além das oito creches suspeitas de envolvimento no esquema de desvio de verbas, em São Gonçalo, mais seis empresas que forneciam alimentos para as instituições estão sendo investigadas. Desde o início da manhã desta segunda-feira, agentes da Delegacia Fazendária da Polícia Civil (Delfaz) realizam operação para cumprir 21 mandados de busca e apreensão. Dezesseis pessoas estão prestando depoimento.

De acordo com a delegada assistente da Delfaz, Tatiana Queiroz, a direção das creches desviava o dinheiro para outra utilização, como a compra de materiais de limpeza e pagamentos de profissionais, deixando as crianças sem os alimentos. As verbas eram provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e repassadas às creches através da prefeitura.

Desvio foi de R$ 5,2 milhões, diz Polícia Civil

Segundo as investigações, foram desviados R$ 5,2 milhões do município, na fraude que envolve diretores das creches e pessoas ligadas a empresas que emitem notas fiscais. Com isso, aproximadamente 700 crianças foram prejudicadas com o golpe. Há ainda suspeitas de que algumas das empresas investigadas nem existam.

Os integrantes da quadrilha podem responder pelos crimes de fraude à licitação, falsidade de documento particular e público, falsidade ideológica, formação de quadrilha, peculato, crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo ainda não se manifestou sobre o fato

Policiais civis realizaram nesta segunda-feira uma operação em São Gonçalo para desmantelar uma quadrilha que desviava verbas de creches do municípioReprodução / TV Globo

De acordo com a delegada Tatiana Queiroz, as investigações começaram há um mês e meio, originadas por meio de uma denúncia. As informações são de que os golpes vinham sendo aplicados desde 2004. "Todos que participavam de maneira direta e indireta do processo de destinação do dinheiro serão investigados, inclusive funcionários públicos da prefeitura", declarou.

As creches investigadas são: Obra Social Tia Lili Educandário e Obra Social Colubandê Primeiro Amor, Associação Assistencial Educacional Macadeski, Creche Comunitária Yaveh Shaman, Instituto Raiz do Futuro, Instituto Social Sonia Gouveia Faria, Obra Social Bem Viver e Obra Social do Bairro das Palmeiras. Já as empresas que vão responder ao processo são: Luke Comércio e Serviços Ltda ME, Vavathay - Vanessa da Silva Maia Comércio de Gêneros Alimentícios, LCA São Gonçalo Comércio e Representação Ltda, João Ricardo Torres ME, Selmarki Rod SG Comercial e Distribuição Ltda, TJL Distribuidora Ltda.

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