Por nicolas.satriano

Rio - Instrutores, profissionais de limpeza e administração que trabalham na Vila Olímpica do Encantado, no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, não recebem salários há dois meses. Isso porque a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer suspendeu o repasse de verbas feito à organização social Atlas (Associação de Treino Livre de Apoio Sociocultural) devido, segundo a secretaria, a atraso de mais de três meses na prestação de contas da OS. Representante da organização social nega ter recebido repasse e, por isso, diz que não haveria contas a prestar.

De acordo com o secretário da pasta, Marco Teixeira Braz, o último documento apresentado à secretaria data de outubro de 2014. "O atraso na prestação de contas fere acordo firmado entre as partes (secretaria e Atlas). Como não há prestação de contas desde o período informado, superior aos 90 dias regulamentares, não é possível estabelecer os repasses de verba", informou.

Pessoas que frequentam a Vila Olímpica do Encantado organizaram um abraço simbólico contra o fim do fechamento do espaçoJúlio Tio Verde / Divulgação

Rebatendo versão do secretário, o presidente da Atlas, Vagner Espigoti, informou que o repasse de verba da secretaria foi cortado antes que a organização social prestasse contas. "Não há como prestar contas daquilo que não se recebeu", ressaltou. Segundo Espigoti, a expectativa é que até o próximo dia 30 a situação dos funcionários contratados pela OS seja regularizada. Pelo contrato com o município, a Atlas recebe aproximadamente R$ 209 mil mensais.

Para garantir o salário dos colaboradores até janeiro deste ano, segundo Espigoti a Atlas usou reservas que mantinha para pagamento das verbas rescisórias ao final do contrato de gestão com a secretaria. Espigoti disse que os recursos esgotaram e, hoje, reconhece que as obrigações financeiras estão atrasadas.

Idosos que participam do projeto também protestaram pela regularização do salário de funcionáriosJúlio Tio Verde / Divulgação

Instrutor de skate na vila olímpica desde o início do projeto, em 2013, Júlio César Ferreira, conhecido como Tio Verde, disse que a justificativa dada aos funcionários é que procedimentos para regularizar a situação estão em auditoria. "Fica um jogo de empurra, e o tempo vai passando", lamentou o instrutor. Tio Verde contou que no fim deste mês, é provável que a falta de material humano encerre as atividades na vila olímpica. "Nem o vale-transporte está sendo pago", denunciou o skatista.  

No projeto proposto pela Atlas para a Vila Olímpica do Encantado, o único programa da OS no Rio, estão previstas as seguintes modalidades esportivas: futebol, futsal, basquete, vôlei, handebol, badminton e patinação artística. Outras modalidades recreacionais também estão inclusas no programa: skate, tai chi, yoga, musculação, dança e ludicidade. Apesar disso, a falta de bolas também é alvo de reclamação das pessoas que utilizam o espaço. 

Protesto cobra regularização de pagamentos

Em manifestação nesta quarta-feira à tarde, no entorno da vila olímpica cerca de 150 pessoas participaram do ato reivindicando a regularização dos salários dos profissionais e a manutenção do espaço. O local de encontro foi na Rua Bento Gonçalves, altura do número 457. Além de passeata no entorno do Engenhão, os manifestantes fizeram um abraço simbólico na pista de skate, pedindo que os profissionais continuem o trabalho. 



.  

Você pode gostar