Por paloma.savedra
Quem procura a 19ª DP%2C na Tijuca%2C é atendido em meio à sujeira que aumenta na unidade. Terceirizados pedem pagamento dos salários que estão atrasadosDivulgação

Rio - Há três meses sem receber seus salários, funcionários terceirizados das delegacias do Rio fazem uma manifestação, nesta quinta-feira, em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O objetivo é chamar atenção da população e pressionar o governo estadual, além de deputados, para a solução do problema. Os trabalhadores são contratados pelas empresas Prol e Space 2000. 

O atraso no salário tem afetado o atendimento das unidades: em algumas, o horário nas recepções chegou a ser reduzido, enquanto em outras, a limpeza chegou a ser suspensa por alguns dias. Segundo um dos funcionários, Edvaldo Alves do Nascimento, que é síndico da 71ª DP (Itaboraí), o caso é mais crítico nas centrais de flagrante, nas Divisões de Homicídios (DHs). Ele criou a página 'Cadê o meu salário' no Facebook para denunciar o problema. 

Policiais relatam ainda que na 37ª DP (Ilha do Governador), os faxineiros não cruzaram os braços, porém, o atendimento nos balcões foi afetado. Já na 19ª DP (Tijuca), a limpeza dos banheiros e das salas também tem sido prejudicada, apesar de os funcionários não terem cruzado os braços. Na 71ª DP (Itaboraí), o serviço geral foi prejudicado, afirmam os policiais.

"Já procuramos o governo e a Prol inúmeras vezes. Tentamos resolver isso de forma civilizada e ordeira a todo momento. E a resposta da empresa é sempre a mesma: o estado não repassa as verbas", relatou Edvaldo. Segundo o funcionário, a empresa chegou a pagar apenas o vale-transporte de alguns trabalhadores. 

Síndicos%2C recepcionistas e funcionários de limpeza de delegacias fazem ato na Alerj para pagamento de salários atrasadosDivulgação

"Alguns estão indo trabalhar com muito sacrifício. Não sabemos mais a quem recorrer. A situação é desesperadora. Eu mal estou conseguindo viver, sem dinheiro para comprar comida, nem nada. Mas não tenho filhos, imagina aqueles colegas que têm família? Não há como viver", acrescentou ele, que não poupou críticas.

Apesar da crise, Alerj gasta R$ 1,2 milhão para aumentar frota de carros

"Não é possível que o estado tenha dinheiro para carros de deputados e para pagar todos os servidores estaduais, mas não tenham para pagar terceirizados. Como sumiu esse dinheiro se é previsto no orçamento?", disparou Edvaldo. Nesta quinta-feira, reportagem do DIA mostrou que apesar da crise financeira no estado, a Alerj gastou R$ 1,2 milhão para aumentar a frota de carros. 

Chão da copa e de outras salas da delegacia da Tijuca revela a situação na unidade%3A faxineiros não trabalham com frequência por conta do atraso de saláriosDivulgação

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Fazenda informou que "os atuais débitos do Estado com seus fornecedores refletem uma situação econômica extremamente difícil para o país e, especialmente, para o Estado do Rio de Janeiro". O órgão alegou que a queda nos preços do barril do petróleo e a desaceleração do crescimento do Brasil afetaram o estado. 

A secretaria afirmou ainda que "os pagamentos cujos empenhos ocorreram em 2014, mas não foram pagos naquele exercício estão em Restos a Pagar". Ou seja, segundo o órgão, os pagamentos às empresas foram efetuados, porém, ainda há debitos a serem quitados. A secretaria afirmou que as regras para quitação dos Restos a Pagar são definidas sempre no início do ano, e que "sairá um decreto, provavelmente ainda em abril, estabelecendo as formas de pagamento, considerando principalmente as áreas prioritárias e despesas obrigatórias".

Na cozinha da 19ª DP(Tijuca)%2C um bilhete alerta para o problema%3A "Estamos sem faxina! Não seja porco e jogue seu lixo na lixeira e lave sua louça" Divulgação

Já as empresas responsáveis pelas contratações foram procuradas, mas a reportagem ainda não obteve resposta.

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