Reconstituição tenta esclarecer se menino foi atingido em meio a confronto

Polícia deve mobilizar cerca de 300 agentes. Mortes de Eduardo, Elizabeth e capitão Uanderson serão simuladas

Por O Dia

Rio - A principal linha de defesa dos policiais militares envolvidos na ação que matou, com um tiro na cabeça, o menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, será posta à prova hoje, por volta das 17h, por um megaesquema da Divisão de Homicídios (DH), durante a reconstituição do episódio. Os PMs alegam que houve confronto no Complexo do Alemão na tarde do último dia 2, no local onde Eduardo morreu, mas a mãe do garoto, Terezinha Maria de Jesus, nega. Além disso, a perícia de local não chegou a confirmar marcas de tiroteio na região. Os PMs envolvidos estarão presentes.

Polícia Civil faz reconstituições simultâneas de mortes no Alemão

Terezinha%2C mãe de Eduardo%2C quer processar José Júnior%2C do Afroreggae Alexandre Brum / Agência O Dia

Os trabalhos de cerca de 90 homens das delegacias de homicídios da Capital, Baixada e Niterói/São Gonçalo começam cedo. Por volta das 10h, os agentes iniciam as três reproduções simuladas agendadas. Além da morte de Eduardo, a polícia quer reconstituir os assassinatos da dona de casa Elizabete de Moura Francisco, 41, atingida por um tiro no pescoço, dentro de casa, um dia antes da morte do menino, e do capitão PM Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, comandante da UPP Nova Brasília, em setembro. A dúvida, nesse último caso, é se o policial teria sido vítima do disparo de um subordinado, de modo acidental.

Para garantir a segurança dos trabalhos, a Polícia Civil deverá mobilizar cerca de 300 agentes. Além das equipes da DH e apoio de delegacias distritais como a 45ª (Alemão) e 21ª (Bonsucesso), homens da Coordenadoria de Recursos Especiais vão atuar no conjunto de favelas, que já está ocupado por homens das Forças Especiais da PM, como Bope e Batalhão de Choque, além de soldados das UPPs locais.

José Júnior pede desculpas

O coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior, pediu desculpas pelo post que publicou em sua página do Facebook após a morte do menino Eduardo. Na postagem, Júnior escreveu que o menino “segundo informações era bandido”.

Na quarta-feira, a mãe de Eduardo, Terezinha Maria de Jesus, prometeu processar Júnior: “Bandido é ele. Meu filho estudava e participava de projetos da escola. Nunca se envolveu com o tráfico. Ele era muito bom. Bandido não estuda e não tira nota dez”, disse ela.

Júnior apagou a postagem e fez novo texto, ontem, se desculpando pelas palavras, que, segundo ele, foram distorcidas por motivos políticos. “Quem me conhece, sabe que eu nunca afirmaria que uma criança merece morrer. Assim como não acusaria, sem provas, que o menino estaria envolvido com o crime”, escreveu.

Júnior reconheceu que seu texto foi mal redigido. “Não me interessa se há um jogo político por trás dessa calúnia. O que interessa nesse momento é respeitar a dor da mãe”, disse.

(Reportagem de Caio Barbosa)

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