Por thiago.antunes

Rio - As noites de terça-feira na Zona Norte ganharam points que têm atraído gente de todas as idades em busca de programas alternativos de qualidade. É num dos berços do samba carioca que centenas de pessoas redescobriram e passaram a curtir a balada no ritmo do blues, som que nasceu nos Estados Unidos e mistura vocais e instrumentais em perfeita harmonia.

No Botequim Rio Antigo, em Olaria, e no Botto Bar, na Praça da Bandeira, a pedida do início da semana vem regado a blues, cervejas especiais e petiscos de primeira. O mais surpreendente deles fica numa esquina da Rua Uranos, a menos de 500 metros do Cacique de Ramos, reduto do que há de melhor no samba. Foi ali que os amigos Lúcio Santos, de 35 anos, e Raphael Phillips, 28, decidiram ousar, aproveitando uma demanda que eles descobriram na região.

No Botequim Rio Antigo%2C em Olaria%2C as noites de terça-feira são dedicadas aos shows de blues e às comidinhas diferenciadas da casaJoão Laet / Agência O Dia

“Não havia nada por aqui que atraísse esse tipo de público. E terça é um dia alternativo como o blues, como o rock. Fizemos uma aposta que deu certo”, comemorou Lúcio, com a casa lotada. Inaugurada no início do ano passado, o Rio Antigo já recebeu grupos de Brasília, Recife e Goiânia, que foram a Olaria pelo simples prazer de tocar, sem cobrar cachê. Nomes conhecidos do blues como Sergio Rocha, Edu Strada, Cesar Lago e Beto Werther também marcam presença na casa com frequência.

“Nesta terça faremos o segundo tributo a Jimmi Hendrix. No primeiro, deu tanta gente que fechou até a rua. Mesma coisa quando fizemos o tributo à Legião Urbana. Vem gente da cidade inteira, não só do subúrbio”, conta Raphael Phillips.

A dentista Mariana Miranda, 34, é uma entusiasta da novidade e sugeriu que outras casas fizessem o mesmo na região, que até então era conhecida apenas pelo samba. “Todo mundo que é de Ramos, Olaria, em certa medida gosta de samba porque é uma coisa nossa. Temos orgulho disso, mas não gostamos só de samba. O blues e o rock and roll são muito bem vindos aqui”, comemorou Mariana.

Bedran (baixo) comanda a Cozinha Etílica%2C às terças%2C no Botto BarJoão Laet / Agência O Dia

O Botto Bar tem como proposta, além das cervejas artesanais, a boa música, sob comando do baixista Claudio Bedran e do baterista Pedrão Strasser, do grupo Blues Etílicos. Todas as terças, eles recebem convidados, a partir das 19h30, para um happy hour onde as marcas registradas são a informalidade e um repertório impecável.

“Cresci ouvindo Blues Etílicos. A primeira coisa que pensei quando decidi ter um bar foi trazer os caras para tocar”, conta o dono do bar e mestre cervejeiro Leonardo Botto, 37 anos. “O espírito do blues é este, de informalidade e, ao mesmo tempo, coisa boa para comer e beber. A cidade carece de mais espaço assim”, diz Claudio Bedran.

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