BRT fecha cerco a ambulantes

Consórcio faz campanha que gera polêmica, com público defendendo vendedores informais

Por O Dia

Rio - A venda de mercadorias por ambulantes em ônibus e estações do BRT não está sendo mais tolerada. No começo do mês, o consórcio que administra o sistema começou a fazer uma campanha no seu perfil no Facebook, publicando um aviso que dizia: “Esses não incomodam mais sua viagem”. Para muitos passageiros, no entanto, a medida não foi bem recebida e eles criticam a repressão aos vendedores. A empresa alega que visa ao bem estar dos usuários. O comércio de mercadorias é proibido em qualquer meio de transporte público.

Laís Ramos, 25, acha que a administração do BRT deveria se preocupar mais com a superlotação, que incomoda quem costuma usar o transporte. “O ambulante não me atrapalha, até gosto de comprar as balas”, disse a auxiliar de serviços gerais.

Luiz Cláudio passou a vender balas fora da Estação de Madureira para não ter a mercadoria apreendidaUanderson Fernandes / Agência O Dia

Na página do Facebook, o consórcio justificou a medida. “A origem destes produtos é duvidosa e a forma como são armazenados pelos ambulantes é insalubre, na maioria das vezes. Contamos com nossos clientes para nos ajudar a propagar esta ideia.”

Entretanto, a grande maioria dos comentários dos seguidores da página é de críticas. “Ofereçam um serviço de qualidade. Depois pensem em avaliar a procedência e armazenamento dos ambulantes. Pois, insalubre por insalubre, suas conduções também o são”, escreveu Wilian Esteves. Entre os poucos que defendem a medida estava a internauta Margô Ibarra: “Lei é lei. Foi feita para ser obedecida.”

Para alguns clientes do BRT, o segredo é ter bom senso. “Quando o ônibus está lotado, é importante que os vendedores percebam que não é legal entrar, porque mal dá para passar. Mas se não está, qual o problema?”, indaga a estudante Marcella Cardoso, 21.

Luiz Cláudio de Araújo, 52, passou a vender balas do lado de fora da Estação de Madureira do BRT, por medo de ter a mercadoria apreendida. O camelô trabalha vendendo doces há 40 anos. “Não vou entrar porque tenho medo de ser barrado. Trabalho honestamente, não estou roubando, mas eles não querem nem saber”, afirmou. “Se a gente não pode trabalhar, como vamos ter o nossa comida?”, comentou Rômulo César, 23, outro ambulante.

Motorista pode até ser multado

Segundo a Secretaria Municipal dos Transportes, um decreto de 2010 determina que motoristas e cobradores não devem permitir a mendicância e a venda de objetos ou alimentos no interior dos coletivos. “Trata-se de uma infração média. O auxiliar de transporte que permitir essa prática será penalizado com multa de R$ 108,47”, diz nota da secretaria.

O consórcio que administra o BRT informou que 300 quilos de mercadoria são apreendidos por semana. A Guarda Municipal também atua na apreensão das mercadorias. O material pode ser retirado mediante apresentação de lacre e nota fiscal.

Reportagem de Amanda Prado

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