'Foi uma coisa brutal', desabafa mãe de jovem morta ao dar à luz

Ana Carla Silva promete processar o município e chama os funcionários do Hospital Mariska Ribeiro de 'açougueiros'

Por O Dia

Rio - A família de Rafaela Cristina Souza dos Santos, de 15 anos, parece ainda não acreditar na precoce morte da jovem, no último sábado, durante o parto do filho. A mãe, Ana Carla Silva de Souza, de 41 anos, acusa os funcionários do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste, de negligência e promete entrar na Justiça contra o município.

"Sei que nada vai trazer a minha filha de volta, mas isso tem que acabar. Não preciso de dinheiro, mas mataram uma menina de 15 anos. Enquanto Deus me der força, vou fazer isso pela minha filha. Ela não merecia isso", desabafa.

Rafaela Cristina Souza dos Santos, de 15 anos, morreu no último sábado, após complicações no parto. Mãe acusa o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro de negligênciaDivulgação

De acordo com Ana Carla, Rafaela chegou ao Mariska Ribeiro por volta das 23h40 e só foi atendida às 3h. Ela afirma que as enfermeiras em nenhum momento verificaram a pressão da jovem. Horas depois ela foi transferida para o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte, onde acabou morrendo.

"A enfermeira ficava só monitorando o coração do bebe e não verificava a pressão dela. Eles colocaram um óleo na barriga e eles falavam que se o bebe sentisse o cheiro ele sairia. Sou mãe de quatro filhos e nunca ouvi essa história. Foi uma coisa brutal que fizeram com ela. Ela morreu no Hospital de Acari, mas ela já foi praticamente morta pra lá", diz.

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A mãe da Rafaela garante que a jovem teve uma gravidez sem nenhum tipo de problema. "Ela nunca teve problema, nunca teve nada durante os nove meses da gestação. Foi tudo normal, fez o pré-natal (exame) tudo certo".

Jovem pensava em seguir com os estudos

Estudante do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Almirante Saldanha da Gama, em Campo Grande, Rafaela Cristina não pensava em abandonar os estudos, mesmo com o nascimento do pequeno Miguel.

"Ela sempre falou que teria o Miguel, mas que não iria largar. Ela dizia: 'vou continuar estudando para dar um futuro para o meu filho'. Mas foi tudo interrompido por esses açougueiros", lembra.

A criança deve deixar o Hospital Mariska Ribeiro ainda nesta terça-feira. Mãe de quatro filhos, Ana Carla vai criar o menino com a ajuda do pai, de 21 anos. "Minha filha já estava com a casa dela quase pronta. Meu genro é uma ótima pessoa, está sofrendo muito. Ele (criança) vai ficar na minha casa, mas com o pai dando todo o apoio", finaliza.

A Secretaria Municipal de Saúde informou, em nota, que segundo a direção da maternidade, Rafaela foi assistida por profissionais da unidade e apresentou complicações durante o trabalho de parto. De acordo com o texto, a paciente recebeu todo o suporte necessário e foi transferida para uma unidade de terapia intensiva, onde apresentou rápida piora e morreu.

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