Sujeira é obstáculo olímpico em Deodoro

Prefeitura corre para despoluir rios que cortam o bairro e até alguns locais de competições

Por O Dia

Rio - A Baía de Guanabara não é o único obstáculo que atletas olímpicos terão que enfrentar no quesito poluição. Cinco rios que cortam Deodoro, palco de 11 modalidades, estão totalmente degradados por causa do esgoto e assoreamento. Eles se enquadram no que ambientalistas chamam de rio morto, quando a água não serve mais para o consumo, e a fauna e flora estão comprometidos. Dois deles — Caldeireiro e Marangá — estão no local onde vão ocorrer as competições. Os demais estão nas imediações do complexo esportivo.

O bairro, que vai ser o centro das atenções de esportistas do mundo inteiro, tem ainda outro problema ambiental: o tratamento de resíduos. Atualmente, apenas 35 % do esgoto recebe cuidado. A Secretaria Municipal de Saneamento e Recursos Hídricos disse que está “atuando fortemente” no Complexo de Deodoro para deixar para a população um “um legado ambiental alavancado pela realização dos jogos”. Parte desse projeto deve se concretizar com a licitação, no valor de R$ 9,9 milhões, para contratar uma empresa que fará a limpeza e desassoreamento dos cinco rios da região. Além do Caldeireiro e Marangá, completam a lista os rios Catarino, Marinho e Piraquara. A concorrência pública vai acontecer no próximo mês.

O Rio Marangá%2C que corta o bairro de Deodoro%2C passa também pelo complexo olímpico. Prefeitura fará licitação para obras de despoluiçãoErnesto Carriço / Agência O Dia

Se a situação dos rios está perto de um desfecho, o mesmo não se pode dizer da questão dos resíduos que vêm das casas, comércio e indústrias. Em 2012, quando foi inaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Deodoro, a promessa da prefeitura era que, em 2016, 40% dos detritos na região que engloba, além de Realengo, outros 20 bairros — o que representa 48% do território da cidade — estariam sendo tratados.

Na ocasião, esse índice era de 4%. Hoje é de 14%. Mas a Foz Águas 5, responsável pela prestação do serviço, tem outra meta. Segundo a empresa, que tem a maior concessão em saneamento básico do país, somente depois da Olimpíada, ou seja, em 2017, esses 40% serão alcançados. Se tudo correr dentro do cronograma, em 2022, esse percentual vai saltar para 70%.

Atualmente, a Estação de Tratamento de Deodoro atende cerca de 40 mil pessoas. “Mas está sendo ampliada e até junho de 2016, atenderá aproximadamente 400 mil pessoas, já prevendo o crescimento demográfico da região”, explicou a Foz Água 5, por nota.

Segundo a prefeitura, a interligação de 273 quilômetros das redes coletoras aos equipamentos olímpicos de Deodoro é prioridade do município e já estará concluída por ocasião dos primeiros eventos-teste.

Rio lidera a compra de ingressos

A um dia do término do prazo para solicitação de ingressos dos Jogos Olímpicos, o vôlei e o futebol lideram a lista da preferências dos brasileiros. O curioso é que a natação saltou do quinto para o terceiro lugar. Em quarta posição, está o basquete. O atletismo, que estava em sétimo lugar, foi para o quinto.

No ranking por estados, o Rio de Janeiro ainda lidera o número de pedidos, seguido por São Paulo e Minas Gerais. Quem ainda não comprou seu ingresso tem até quinta-feira para fazer o pedido no site www.rio2016.com/ingressos. Em maio de 2016 começam as vendas em bilheterias.

“Pedimos para os torcedores não deixarem para o último dia. Há ingressos disponíveis para todos os esportes, incluindo as cerimônias de abertura e encerramento, além da facilidade de parcelamento, que não existirá nas próximas fases”, destaca Donovan Ferretti, diretor de Ingressos dos Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016.

Legado comprometido

Faltando 464 dias para o início da Rio 2016, o legado da Olimpíada foi posto à prova mais uma vez ontem: há três meses sem salários, funcionários da Vila Olímpica da Gamboa fizeram uma paralisação , prejudicando os cerca de 300 alunos. No espaço há aulas de natação, judô, caratê, muay thai, futebol e vôlei, frequentadas na sua maioria por idosos e crianças. Segundo funcionários da MCS, organização social contratada pela Prefeitura para administrar a Vila, o caos é tamanho que falta até material básico para limpar as piscinas — que por isso passam a maior parte do tempo fechadas.

“Há crianças especiais que vêm de longe fazer hidroterapia e, quando percebem que a piscina está fechada, saem chorando”, contou um funcionário, que pediu para não ser identificado temendo represálias. Segundo ele, desde março, a firma que fazia limpeza deixou de cumprir suas tarefas. O contrato do município com a MCS termina no meio do ano. “Os guardiões das piscinas se viram como podem para limpá-las. Uma delas nem abre mais, porque falta material.”

Além do salário, os vigias alegam que não recebem tíquete-alimentação desde o começo do ano. Hoje, uma comissão será recebida pelo novo Secretário Municipal de Esportes do Rio, Marcos Braz, que ao saber da paralisação entrou em contato com funcionários para intermediar uma solução.

(Reportagem de André Balocco)

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