PM inicia ocupação de mais quatro comunidades do Complexo da Maré

Acesso ao Parque União, Nova Holanda, Nova Maré e Rubens Vaz estão com patrulhamento reforçado para a saída do Exército

Por O Dia

Rio - A Polícia Militar iniciou, na noite desta quinta-feira, a preparação para a ocupação de mais quatro comunidades do Complexo da Maré, em substituição a Força de Pacificação do Exército que atuava na área há um ano. O cinturão de segurança com policiais posicionados nas entradas das comunidades Parque União, Nova Holanda, Rubens Vaz e Nova Maré, na Avenida Brasil, com reforço nas linhas Vermelha e Amarela, foi parte da estratégia para a saída da Força Armada e a entrada dos PMs na manhã desta sexta-feira. Na primeira etapa do processo, há uma mês, a PM assumiu o patrulhamento nas comunidades Roquete Pinto e Praia de Ramos - antes controladas por milicianos - com previsão de instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) para julho.

Militares da Força de Pacificação no Complexo da MaréCarlos Moraes / Agência O Dia

Juntas, as quatro comunidades que vão receber os PMs abrigam mais de 40 mil moradores, que viviam subjugadas a atuação de três facções criminosas antes da ocupação da Força de Pacificação no território. Durante a madrugada, a movimentação de viaturas e de policiais do 22º BPM (Maré) baseados na entrada das comunidades na Avenida Brasil chamou a atenção de quem mora ou passava por uma das vias expressas mais importantes do Rio. O garçom Raimundo Tiago, de 26 anos, se surpreendeu ao descer do ônibus vindo do trabalho.

LEIA MAIS: Parque União e Nova Holanda serão ocupadas no dia 1º de maio, diz PM

"Não esperava. Estou surpreso com essa grande movimentação. Com a presença do Exército a situação melhorou muito aqui na comunidade. Espero que a PM mantenha isso", sonha Raimundo. Ele espera que o poder público também atue no Parque União, onde mora há cinco anos, trazendo benefícios para os moradores. "A falta de saneamento básico é a principal carência aqui. Educação também é outro ponto importante,", ressaltou o garçom.

Comerciante no Parque União há 20 anos, João Bezerra, 53, espera que os órgão públicos tragam, além de segurança, mais saúde, trabalho e, principalmente, limpeza para o complexo da Maré. "A comunidade é muito boa. Não tenho o que reclamar de estar aqui há tanto tempo", elogiou.

Durante o dia, além de policiais do 22º BPM e policiais que integram o Comando de Operações Especiais da PM - Bope, Choque, Companhia de Cães e GAM - auxiliarão na Maré, além do Grupamento Especial Tático de Motociclistas (Getem). De acordo com a PM, 369 policiais integrarão a Companhia da Maré. Eles já vinham atuando nas comunidades desde novembro de 2014, em parceria com a Força de Pacificação do Exército. O prazo para que os militares deixem as 16 comunidades da região é dia 30 de junho.

Polícia estima que bando tenha mais de 100 fuzis

O traficante Jorge Luiz de Moura Barbosa, o Alvarenga, da facção criminosa Comando Vermelho, construiu seu ‘império do crime’ alimentando o vício das drogas em viciados, principalmente em crack, um dos entorpecentes mais vendidos pela sua quadrilha. Tanto que era nas entradas do Parque União, na Avenida Brasil, que se concentrava uma multidão de usuários, que pagavam pelo produto, mas não tinham permissão do criminoso para entrar na favela. Segundo informações de moradores, Alvarenga achava que a aparência maltrapilha dos ‘zumbis’ que consumiam crack espantaria a freguesia que procurava a comunidade para comprar outras drogas.

Antes da entrada das forças de segurança na Maré, as comunidades dominadas por Alvarenga eram as maiores distribuidoras de drogas da facção. O faturamento semanal do criminoso somente com a venda do crack girava em torno de R$ 700 mil. No total, a quadrilha lucrava cerca de R$ 5 milhões por mês com as drogas.

Protegido por um bando de cerca de 150 homens fortemente armados — estima-se que a quadrilha tenha mais de 100 fuzis —, Alvarenga entra e sai do Parque União e da Nova Holanda quando quer. Segundo fontes da polícia, ele possui outros endereços fora da favela que servem como esconderijo, além de viajar com frequência para os Estados Unidos, onde gosta de arriscar o que ganha em apostas nos cassinos.

Há uma semana, por exemplo, o traficante planejou uma megafesta na comunidade pelo seu aniversário. Nascido no dia de São Jorge, todos os anos o traficante promove um evento com comemoração dupla. Há informações de que para divertir os moradores e os comparsas, o criminoso teria contratado um conhecido grupo de pagode.

Contra Alvarenga, há pelo menos cinco pedidos de prisão pendentes. O Comando Vermelho domina grande parte das comunidades do Complexo da Maré.

Últimas de Rio De Janeiro