Por nicolas.satriano

Rio - O número de adolescentes apreendidos e encaminhados para o Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) aumentou 40% na cidade do Rio de Janeiro durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.

O dado faz parte do relatório anual do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro, que foi apresentado ontem na Assembleia Legislativa, quando o Mecanismo ganhou uma sala definitiva para trabalhar.

Durante quatro anos, o grupo trabalhou sem estrutura própria, em salas emprestadas pela OAB, e, ainda assim, produziu extenso trabalho. “Isso o torna mais eficaz. Afinal, estamos falando de um órgão reconhecido internacionalmente, que tem sua criação baseada no protocolo da ONU e é pioneiro no mundo”, disse o deputado Marcelo Freixo (PSol), um dos autores do projeto de lei que criou o Mecanismo, com Jorge Picciani (PMDB) e Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB).

Segundo o relatório, no dia 4 de julho de 2013 foram 1.005 adolescentes apreendidos na capital. O número saltou para 1.487 exatamente um ano depois. O Mecanismo conclui: “Esta constatação nos impõe a leitura de que se instalou no estado, quiçá no Brasil, um verdadeiro Estado de exceção, em que adolescentes eram apreendidos pelas forças de segurança e mantidos privados de sua liberdade pelo Poder Judiciário com vistas à higienização da cidade sede da partida final da Copa”.

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