Por nicolas.satriano

Rio - Termina nesta quinta-feira à noite o prazo dado pela Justiça à Prefeitura de São Gonçalo para cassar as licenças de vans e Kombis do transporte alternativo na segunda maior cidade da Região Metropolitana, com mais de 1 milhão de habitantes. Nesta quarta-feira, moradores já sentiam o efeito da decisão, com poucas vans nas ruas.

O Tribunal de Justiça (TJ) acolheu mandado de segurança impetrado pelo Consórcio São Gonçalo de Transportes contra decreto municipal, de junho, que autorizou que vans transportassem passageiros na cidade. O TJ determinou ainda que a Polícia Militar e o Detro apreendam e desemplaquem, em 72 horas, veículos que façam transporte ilegal.

Medida divide opiniões%3A há passageiros que reclamam de falta de opções e outros que criticam as vansJoão Laet / Agência O Dia

A confusão se arrasta há anos. O transporte alternativo foi suspenso na cidade depois da guerra da chamada ‘máfia das vans’, que teria resultado em mais de 60 assassinatos por disputas de linhas. Em 2012, o consórcio venceu a licitação para explorar o serviço de forma legalizada, mas o projeto não foi adiante por causa da guerra e das investigações policiais sobre o caso.

No ano passado, a Câmara Municipal rejeitou projeto do prefeito Neilton Mulim (PR) para recriar o serviço de vans. A prefeitura, então, decretou a legalização do transporte alternativo, mas não levou em conta a licitação feita em 2012.

“Saio do trabalho às 23h e nunca tem ônibus. Sem vans, não sei como vou chegar em casa. Somente uma linha faz o trajeto e demora muito para passar, quando passa”, questionou Leandro Duarte, de 25 anos, em frente ao Shopping São Gonçalo, onde trabalha.

“Eu acho as vans aqui em São Gonçalo muito perigosas. Eles correm muito, há vários carros com defeitos, pneus carecas. Não respeitam as normas de trânsito, eu não uso. Tem que colocar mais ônibus, isso sim”, disse a dona de casa Regina Guedes, de 63 anos.

Se não cumprir a decisão judicial, o secretário municipal de Transporte de SG está sujeito a multa diária de R$ 1 mil. No parecer, o desembargador Jaime Dias Pinheiro Filho ressaltou que a exclusividade garantida ao Consórcio São Gonçalo de Transportes pela licitação de 2012 não foi obedecida pelo poder municipal quando decretou a legalização do serviço.

Mesmo com o decreto, a prefeitura conseguiu legalizar e fiscalizar cerca de 400 vans e Kombis, porém mais do dobro deste total continua circulando irregularmente na cidade, sem qualquer controle, segundo o consórcio. “Estamos numa situação difícil, sem alternativa de transporte”, criticou o garçom Diego Cabral, 28 anos.

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