Moradores da Ilha são vítimas de arrastão depois de ficarem sem barcas

Entre as vítimas de assalto, estavam passageiros que ficaram quase três horas para ser socorridos em embarcação da CCR

Por O Dia

Rio - O martírio de quem precisa de transporte público no Rio parece não ter fim. Um dia após a barca Vital Brazil ficar à deriva quando iria atracar na Estação Cocotá, três bandidos fizeram arrastão num ônibus que saíra da Ilha do Governador para o Centro. Entre as vítimas do assalto no ‘frescão’, da linha Bancários-Castelo, estavam passageiros que, na quinta-feira, ficaram quase três horas para ser socorridos na embarcação acidentada.

Na delegacia, uma mulher lamentava ter sido vítima do assalto e do acidente da barca na vésperaSeverino Silva / Agência O Dia

Os criminosos estavam com granada e pistola. Eles renderam o motorista e deram uma coronhada na cabeça de um rapaz, que, nervoso, não conseguiu destravar a senha do celular para o ladrão. “Por causa do acidente, a estação não funcionou hoje (ontem). Então, tive que vir trabalhar de ônibus. No penúltimo ponto da Ilha, antes de pegar a Linha Vermelha, eles subiram. Dois sentaram, e o outro ficou em pé. Logo em seguida, anunciaram o assalto”, contou o técnico em Segurança do Trabalho André Nunes, 43 anos, que ficou sem a aliança, o celular e R$ 60. O caso foi registrado na 21ª DP (Bonsucesso).

No ônibus, estavam cerca de 40 pessoas. Os bandidos obrigaram o motorista a alterar a rota da Linha Vermelha para a Avenida Brasil, onde desceram na entrada da favela Nova Holanda, no Complexo da Maré. “Parece que tinha que acontecer. Só pego a barca porque me sinto mais segura, mas justamente quando vou de ônibus, acontece isso. Parecia um filme de terror, aquela granada e arma ameaçando a gente o tempo inteiro. Espero que a barca volte logo a funcionar porque não quero pegar ônibus de novo segunda-feira”, disse uma mulher, que não se identificou.

Os 732 passageiros que estavam a bordo da embarcação Vital Brazil foram resgatados em duas embarcações enviadas pela Capitania dos Portos%2C nesta quinta-feiraAlexandre Brum / Agência O Dia

Ontem, a concessionária CCR Barcas, a equipe da Agência Reguladora e da Secretaria de Estado de Transportes passaram o dia apurando as causas do acidente. A embarcação, que saíra da Praça 15, bateu no píer flutuante da Estação Cocotá, que não está funcionando.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Osório, disse que não tem dúvida que houve falha mecânica. “Sabemos que o motor de reversão, acionado quando a barca vai atracar, não funcionou. O comandante fez uma manobra correta, mas bateu no píer e na ponte flutuante. A segunda falha que está sendo apurada é sobre o protocolo adotado pela concessionária. Pelas reclamações que recebemos, tudo leva a crer que a CCR não atuou de forma adequada avisando aos passageiros”, explicou ele. Segundo Osório, se confirmadas as falhas, a empresa pode receber de uma multa severa a uma advertência.

Transtorno com ônibus

Para tentar contornar o transtorno dos passageiros, a Secretaria de Estado de Transportes acionou plano de contingência de manhã. Sete ônibus saíram da estação de Cocotá nos horários em que embarcações partem para a Praça 15.

As empresas foram informadas que deveriam colocar 100% da frota nas ruas. Segundo o secretário estadual de Transportes, Carlos Osório, os passageiros receberam vale e não pagaram tarifa.

Homem levou coronhada por ter tido dificuldade de liberar o celularSeverino Silva / Agência O Dia

Pelo menos 350 pessoas foram levadas até o Centro. À noite, o plano foi suspenso, porque os ônibus não teriam como para na Praça 15.

Procon autua a CCR Barcas

O Procon Estadual autuou, ontem, a CCR Barcas, por causa do acidente. A empresa tem um prazo de 15 dias para fazer sua defesa. Se eles não apresentarem argumentos ou se as explicações não forem aceitas pelo departamento jurídico do Procon, a concessionária será multada. O valor ainda não foi definido, porque será calculado com base na previsão de lucro da empresa nos últimos três meses.

De acordo com o Procon, o acidente infringe várias normas que garantem os direitos do consumidor estabelecidos por lei. Um deles é fornecer, sendo uma concessão pública, um serviço adequado que deve satisfazer, entre outras coisas, as condições de continuidade, segurança e eficiência. A condição vale em especial para os serviços considerados essenciais, como o de transporte aquaviário.


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