Na UFRJ, alunos trocam cadernos pela vassoura e ajudam na limpeza

'Nós que recolhemos o lixo, mas a sala não vê uma boa limpeza há um ano', conta aluno do curso de Comunicação

Por O Dia

Rio - Com funcionários da limpeza e segurança em greve, devido ao atraso de salários de suas empresas terceirizadas, a Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ decidiu ontem fechar as portas por uma semana. O mesmo problema se repete na Faculdade Nacional de Direito (FND), onde 3 mil alunos estão sem aulas desde sábado. A reitoria da Universidade alegou que o problema está no repasse mensal de verba do governo, que, desde o início do ano, tem sido inferior ao proposto para 2015.

A decisão de suspender as atividades na ECO, deixando 1.800 alunos sem aula, foi tomada após uma reunião extraordinária convocada pelo diretor Amaury Fernandes. “Tem sido uma luta insana nos últimos dois meses com essa situação. Funcionários estavam sobrecarregados para manter a escola aberta, mas chegamos ao nosso limite”, desabafou o diretor. Sem profissionais de segurança, as últimas semanas no campus da Praia Vermelha foram marcadas por diversos casos de violência. Na quarta-feira, um professor teve seu laptop furtado dentro de sala. Alunos também foram vítimas de outros roubos na unidade.

De universitário a lixeiro%3A Carlos Eduardo ajuda a limpar a UFRJ Bruno de Lima / Agência O Dia

A crise na UFRJ se arrasta desde o início do ano. Na Escola de Comunicação, dos 16 profissionais de limpeza que atuavam no ano passado, apenas seis continuaram na função. A precariadade dos serviços se reflete n a má conservação de todas as salas de aula e banheiros. No espaço reservado ao Projeto de Educação Tutorial (PET), são os alunos que fazem a limpeza. “Nós que recolhemos o lixo, mas a sala não vê uma boa limpeza há um ano”, contou o aluno Carlos Eduardo Barros, de 22 anos.

Diante do impasse com os funcionários terceirizados, estudantes de algumas unidades da UFRJ estão se organizando para arrecadar alimentos. No Direito, há pedido de doações até pelas redes sociais. “Os funcionários não têm culpa desses problemas administrativos. O fato é que eles estão passando necessidade”, contou a aluna de Direito, Priscila Mesquita. Lá, não há previsão de retorno das aulas.

Colaborou Amanda Prado

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