Com crise no Estado, escolas públicas perdem aparelhos de ar-condiconado

Segundo Secretaria Estadual de Educação, estratégia visa reduzir em 20% o valor dos contratos, para 'adequações orçamentárias'. No município, ao contrário, energia é esbanjada

Por O Dia

Rio - Para driblar a crise financeira que atinge o Estado do Rio, uma alternativa encontrada pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) foi cortar gastos com energia. Devendo às empresas que prestam serviço de climatização para escolas - algumas com pagamentos atrasados desde dezembro -, a Seeduc permitiu que sejam retirados até 50% dos aparelhos de ar-condicionado instalados nas salas de aula das escolas estaduais. A economia de energia, no entanto, não parece ser preocupação no município.

Morador do Jardim Guanabara flagra escola do município com as luzes acesas à 1h da madrugada desta quarta-feiraWhatsApp O DIA (98762-8248)

Denúncia recebida por O DIA aponta as primeiras unidades onde os aparelhos já começaram a ser retirados. Todas são Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) localizados na Zona Oeste da capital. São eles: o Ciep 336 Octávio Malta, na Rua Frei Timóteo, s/n, em Campo Grande; o Ciep 224 Tarso de Castro, na Estrada Sargento Miguel Filho, s/n, na Vila Kennedy; o Ciep 183 João Vitta, na Avenida Canal Três, s/n, próximo à favela Cesarão, em Santa Cruz ; o Ciep 244 Oswaldo Aranha, na Rua Princesa Leopoldina, em Realengo; o Ciep 433 Togo Renan Soares Kanela, na Rua Tamarama, s/n, em Cosmos; e o Ciep 223 Olympio Marque dos Santos, na Estrada da Posse, 800, em Campo Grande.

Aparelhos são retirados em locais onde há menos impacto, diz secretaria

Em nota, a secretaria explicou que, de acordo com a legislação, a retirada dos climatizadores só pode ocorrer com prévia autorização da Seeduc, "que analisou os locais onde haveria menos impacto e causaria o menor prejuízo possível". A reportagem perguntou á secretaria quais escolas teriam redução do número de aparelhos, porém o órgão preferiu não especificar.

Como justificativa para que sejam retirados os climatizadores, a secretaria explicou, ainda em nota, que cumpre decreto que determina a redução em 20% do valor dos contratos com empresas prestadoras de serviços, para adequações orçamentárias. "Com a empresa que aluga e realiza a manutenção dos aparelhos de ar-condicionado, a redução contratual deu-se nesse patamar", afirmou.

Em tempos de crise, enquanto o Estado tenta diminuir o valor da conta de luz, o munícipio faz o contrário e esbanja energia. Através do WhatsApp do DIA (98762-8248), nesta quarta-feira, um leitor da Ilha do Governador relatou o que ocorre na Escola Municipal Álvaro Moreyra, que fica próxima de sua casa, no Jardim Guanabara. "A escola toda fica acesa durante a noite e madrugada", disse, o leitor, que preferiu não se indentificar, com medo de represálias.

Luzes de escola municipal na Ilha do Governador ficam acesas em plena madrugadaWhatsApp O DIA (98762-8248)

"Acho um absurdo! Há poucos meses, o prefeito queria cortar a climatização das salas de aula alegando fazer economia de energia elétrica e agora a gente vê a escola com as luzes acesas direto. É um desperdício do dinheiro público", criticou o leitor, que enviou fotos da unidade com as luzes acesas em plena madrugada.

Após a publicação da reportagem, a Secretarria Estadual de Educação informou que um acordo foi realizado com as empresas prestadoras do serviço e que os ares condicionados não serão retirados das escolas. O orgão informou que o percentual de desconto a ser concedido à empresa AVX, para atender às adequações orçamentárias?, está em fase de negociação. Já a Secretaria Municipal de Educação não respondeu os questionamentos da reportagem.

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