Defesa de Beira-Mar culpa o Estado por mortes em Bangu 1

Tendo como base essa alegação, os magistrados pediram a absolvição do traficante

Por O Dia

Rio - O Estado do Rio de Janeiro foi responsável pela rebelião em Bangu 1, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, em 2002. Assim concluiu a primeira declaração da defesa do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, acusado do assassinato de outros quatro traficantes de uma facção rival, dentro do presídio. Tendo como base essa alegação, os magistrados pediram a absolvição de Beira-Mar.

Após fala de uma hora e meia, outro ponto levantado pelos advogados de Beira-Mar indicava que o presídio já carecia de funcionários, muitos deles acusados e condenados administrativamente por facilitar a entrada de drogas e armas. Segundo os magistrados, pouco antes da rebelião, só havia quatro agentes para cuidar  de mais de uma centena de presos de alta periculosidade.

Beira-Mar nega que tenha participado de assassinatos em Bangu 1%2C no Complexo de Gericinó%2C em 2002Fernando Souza / Agência O Dia

Outro argumento da defesa de Beira-Mar aponta para o primeiro inquérito da delegacia que assumiu o caso. Na época, a rebelião foi indicada como uma mera tentativa de fuga, em vez de uma guerra entre facções. Encerrando a fala, o juíz Fábio Uchôa determinou 40 minutos de intervalo para que os jurados jantassem. Em seguida, representantes do Ministério Público farão a réplica, e dará direito à tréplica da defesa do traficante. A previsão é que o julgamento não acabe antes de 3h da manhã.

Celsinho da Vila Vintém depõe e diz que só está vivo por causa de Beira-Mar

Com mais de duas horas de atraso para início do julgamento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, a primeira testemunha que depôs sobre as mortes durante rebelião em Bangu 1, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em 2002, Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, afirmou só estar vivo por causa de Beira-Mar.

"Só estou aqui porque o cara (Beira-Mar) não me fez nada. Nem um tapa eu levei. Tenho uma dívida moral com os meus irmãos que morreram", afirmou o traficante. Segundo ele, Beira-Mar só estava com um celular no dia dos assassinatos.

Após a declaração de Celsinho, que também afirmou que a "guerra" no presídio foi provocada por outro criminoso, Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, o julgamento, no Fórum do Rio, no Centro, entrou em recesso. Celsinho disse que o principal alvo era Uê.

Na volta, foi a vez do acusado, Fernandinho Beira-Mar, prestar depoimento. O traficante negou ter participação nas mortes e confirmou até ter sido "matuto" do tráfico, mas não incitou os assassinatos no presídio.

Últimas de Rio De Janeiro