Agiotas chegavam a cobrar até três vezes a mesma dívida das vítimas

Juros sobre o valor pago pelo empréstimo chegavam até 500%. Vinte pessoas foram presas e 50 são procuradas

Por O Dia

Rio - Policiais da 19ª DP (Tijuca) prenderam nesta quinta-feira a maior quadrilha de agiotagem do estado, que atuava em escritórios de ruas movimentadas como a Conde de Bonfim, na Tijuca. Dezenove integrantes do bando foram presos em Niterói e São Gonçalo.

Desses, dois são policiais militares. O líder do bando, Clenílson Gomes da Silva, cumpria prisão domiciliar e usava uma tornezeleira eletrônica. Outros 31 estão sendo procurados pela polícia. A quadrilha é acusada de extorsão, agiotagem e associação criminosa e agia há pelo menos 14 anos. Os criminosos faziam com que as dívidas das vítimas nunca tivessem fim.

De acordo com a polícia, as pessoas eram obrigadas a assinar notas promissórias com valores bem maiores do que o empréstimo. As cobranças, muitas vezes, foram feitas através de ameaças. Depois de quitada a dívida, a vítima era coagida a pagar tudo de novo.

Envolvidos em crimes de extorsão%2C agiotagem e associação criminosa presos na operação da Polícia Civil nesta manhãSeverino Silva / Agência O Dia

“Uma das vítimas pegou R$ 500 emprestado e pagou em 10 parcelas de R$ 300, totalizando R$ 3 mil. Mas não havia comprovante do pagamento. Um ou dois anos depois, os bandidos ligavam com outros nomes para as mesmas pessoas dizendo que tinham comprado a dívida e que ainda faltava quitar uma parte da quantia. Isso fazia com que a extorsão fosse eterna”, explicou o delegado Deoclécio Assis.

Segundo as investigações, nos 10 escritórios que funcionavam na Tijuca, o faturamento chegava a R$ 50 mil mensais, ou seja, R$ 6 milhões por ano. Um fuzileiro naval está entre os foragidos. Foram apreendidos dinheiro, um cheque de R$ 10,5 mil, relógios e celulares.

O inquérito ainda aponta que os PMs Alexandre Ferreira da Silva e Édson Dias faziam a segurança do chefe da quadrilha e o transporte do dinheiro. Eles também ameaçavam quem atrasava o pagamento das dívidas. “Eles ligavam até para idosos e falavam: ‘Sua filha nos deve. A senhora vê isso, senão vamos matar você e ela.’ Assustados, os parentes acabavam dando o dinheiro”, explicou o delegado.

O bando agia na Zona Norte, Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região dos Lagos. Eles também usavam contas bancárias de ‘laranjas’ para que as pessoas depositassem as parcelas das dívidas.

O chefe da quadrilha, Clenílson Gomes da Silva, foi capturado em Niterói. Em 2011, ele foi preso pelo mesmo crime, assim como outros 11 integrantes do bando. Clenílson foi condenado a 13 anos, mas após ficar três meses preso, ganhou o direito de cumprir a pena em casa porque tem diabetes.

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