'Isso é coisa de bandido', diz Pezão sobre incêndio em ônibus

Governador comentou ataques a coletivos no Estácio, depois que mototaxistas do São Carlos foram encontrados mortos

Por O Dia

Rio - "É uma reação do tráfico. Trabalhador não queima ônibus. Isso é coisa de bandido". A declaração é do governador Luiz Fernando Pezão, que em um evento na Barra da Tijuca comentou os ataques aos coletivos no Largo do Estácio, na manhã desta sexta-feira. O protesto ocorreu depois que dois mototaxistas do Complexo de São Carlos foram encontrados mortos nesta manhã. 

GALERIA: Ônibus são queimados em protesto no São Carlos

Para Pezão, os ataques, que também ocorreram na Baixada Fluminense, foram provocados por traficantes em reação ao avanço das ações policiais. "O cidadão de bem quer a polícia por perto, quer paz no seu bairro, na sua comunidade. É pelo cidadão de bem que o estado vai avançar no processo de pacificação", disse Pezão, afirmando ainda que as operações policiais serão intensificadas:

Após morte de dois mototaxistas no Complexo do São Carlos%2C na noite desta quinta-feira%2C moradores incendiaram ônibus nesta sexta no Largo do Estácio e no Rio CompridoFoto%3A Carlos Moraes/ Agência O Dia

"Ocupamos e estamos com operações em toda aquela região (Complexo de São Carlos) e no Chapadão. Estamos com grandes operações previstas para continuar a combater a criminalidade. A polícia está atrás dos responsáveis" declarou o governador. o.

O governador afirmou também que as polícias Civil e Militar vão continuar atuando em áreas disputadas pelo tráfico de drogas e lembrou ainda que 1,5 mil policiais militares foram contratados nos últimos três meses. Além disso, que novos 750 agentes da Polícia Civil estão concluindo o curso de formação.

"Não falta e nem faltará dinheiro para a segurança pública. Não deixamos de contratar policiais. Assim como também não deixamos de pagar a premiação dos batalhões e das delegacias que atingiram suas metas: foram R$ 61 milhões pagos na última terça-feira", afirmou Pezão.

Policiais retiram corpos de mototaxistas encontrados na manhã desta sexta-feira na localidade conhecida como Terreirão%2C no São CarlosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Moradores atribuem mortes no São Carlos à represália do Bope

Moradores do Complexo do São Carlos afirmaram que as mortes dos mototaxistas da região, na noite desta quinta-feira, foram represália do Batalhão de Operações Especiais (Bope) pelo ataque a um PM, baleado um dia antes, durante ação dos policiais no local. Os mortos foram identificados como Rodrigo Marques Lourenço, de 29 anos, e Ramon Moura, 22. A Divisão de Homicídios (DH) está fazendo a perícia no local.

Ataques nos morros seriam provocados por guerra de facções 

O Bope confirmou uma operação na noite desta quinta-feira, e informou ainda que houve duas ocorrências — porém, não atribuídas aos mototaxistas —: duas pessoas foram baleadas na ação e levadas pelos policiais ao hospital. No entanto, elas não resistiram e morreram.

Segundo moradores da região, policiais do Bope teriam matado os mototaxistas em represália ao ataque a um PM na operação de quarta-feira. Revoltados, eles chegaram a protestar na manhã desta sexta-feira e atearam fogo em dois ônibus. O primeiro coletivo foi incendiado no Largo do Estácio, nas proximidades do Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) e da estação de metrô. O segundo foi incendiado na Rua Campos da Paz, na altura do número 77, no Rio Comprido. Parte comércio na região está fechado.

Titular da DH, Rivaldo Barbosa pediu a colaboração da população para a elucidação do caso. Rivaldo criticou o ataque aos coletivos e fez um apelo: "Peço que essa energia do protesto seja revertida em informação para a Polícia Civil, para que possamos elucidar o crime", declarou ele, afirmando ainda que os dois mortos estavam com marcas de tiros. Mais cedo, foi relatado que as vítimas foram encontradas esfaqueadas.

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