Mais de 42 mil Maracanãs de Mata Atlântica na cidade

Mapeamento identifica 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa em todo o estado

Por O Dia

Rio - Boas novas para os cariocas. Mapeamento inédito realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica identificou novas áreas com vegetação nativa na cidade do Rio de Janeiro.

Ao todo, o estudo da organização não-governamental encontrou 34.800 hectares de vegetação original só na capital fluminense. O número corresponde a mais de 42 mil campos de futebol e indica significativa recuperação da cobertura vegetal da cidade. “Esses números são um presente para os moradores do Rio e mostram a necessidade de redefinição de políticas públicas para preservar essas regiões”, diz Márcia Hirota, diretora-executiva da fundação. “Nosso estudo mostra também sinais importantes de recuperação do bioma original. Há áreas de floresta e de campo que estão se regenerando”.

O levantamento aponta significativa recuperação da cobertura vegetal da cidade. Os cálculos têm como base imagens geradas por satéliteErnesto Carriço / Arquivo Agência O Dia

Intitulado de Atlas da Mata Atlântica, o documento mostra também dados de todo o Estado do Rio — são cerca de 1,3 milhão de hectares preservados de Mata Atlântica original, o que equivale a 30,7% do ecossistema nativo. Os cálculos do atlas partem de imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os pesquisadores ponderam, no entanto, que é impossível comparar os novos números com dados anteriores porque a fundação mudou a metodologia da pesquisa. Até o ano passado, o Atlas da Mata Atlântica registrava apenas áreas com mais de três hectares, enquanto o novo método mapeia todas as áreas com mais de um hectare.

Por conta da mudança, o relatório conseguiu capturar imagens de áreas que têm algum nível de degradação ou estão em regeneração. A nova categoria representa 10% do total do bioma remanescente. São mais 435.530 hectares de mata mapeados, facilitando a criação de políticas públicas para sua preservação.

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Além desta categoria, o mapeamento divide a Mata Atlântica em outros quatro tipos de vegetação. No Estado do Rio, as imagens de satélite registraram 814.563 hectares de floresta, que correspondem a 18,6% dos 30,7% remanescentes do bioma. Os outros 2,1% correspondem a áreas de mangue, restinga e formações naturais não florestais.

Apesar de otimistas e mostrar o Estado do Rio com números próximos do zero, os dados também mostram que o desmatamento avança em todos os 17 estados e cresceu 9% entre 2011 e 2013. “O desafio agora é ampliar a cobertura, que é uma missão difícil”, declarou o secretário estadual de Ambiente, André Corrêa, em encontro promovido ontem pela SOS Mata Atlântica e representantes dos estados pesquisados.

O biólogo Mário Moscatelli, especialista em gerenciamento de ecossistemas, elogiou a pesquisa, mas fez ressalvas. “O estudo é bom, mas não significa nada se não se tornar política pública”, disse. Ele explicou que o aumento na área de Mata Atlântica é na verdade um avanço na qualidade do sistema de monitoramento, mas que essa vegetação sempre esteve ali. “O desmatamento não parou, inclusive avança, principalmente nas áreas metropolitanas. Os fragmentos de floresta identificados precisam de corredores verdes ligando esses locais e fazendo o intercâmbio genético de fauna e flora para a mata crescer de fato”, explicou Moscatelli.

Reportagem de Flora Castro

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