Manifestantes ateiam fogo em ônibus durante protesto no Largo do Estácio

Protesto ocorre após morte de dois mototaxistas no Morro do São Carlos, na noite desta quinta. Parentes acusam o Bope

Por O Dia

Rio - Moradores do Complexo do São Carlos atearam fogo em dois ônibus na manhã desta sexta-feira. O primeiro coletivo foi incendiado no Largo do Estácio, nas proximidades do Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) e da estação de metrô. O segundo foi incendiado na Rua Campos da Paz, na altura do número 77, no Rio Comprido. O ato ocorreu em represália as mortes de dois homens que, segundo amigos e familiares, trabalhavam como mototaxistas na comunidade, na noite de ontem. Grande parte comércio na região está fechado.

Os mortos foram identificados como Rodrigo Marques Lourenço, de 29 anos, e Ramon Moura, 22 anos. Eles teriam sido mortos a facadas e deixados na localidade conhecida como Terreirão. Os corpos ainda permanecem no local e familiares reclamam que não puderam ter acesso a eles.

Um dos ônibus incendiados no Estácio%3B polícia está na região após mortes e protestoCarlos Moraes / Agência O Dia

Um dos ônibus pertencia a linha 229 (Castelo-Usina) e segundo o motorista Washington Amaral, de 32 anos, um grupo de pessoas encapuzadas mandou que ele parasse, roubaram o dinheiro da passagem, mandou que os cerca de 60 passageiros descessem e logo em seguida jogaram gasolina e atearam fogo no coletivo. Bombeiros do quartel Central controlaram as chamas dos dois incêndios.

Parentes das vítimas acusam policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) pelas mortes dos mototaxistas. Irmão de Rodrigo, Thiago Marques disse que ele morava em Campo Grande, na Zona Oeste, e trabalhava há 10 anos como mototaxista no São Carlos. Ele deixa um filho de 3 anos. Thiago falou que foi avisado por moradores que, por volta das 19h, seu filho foi abordado pelo Bope, que realizava operação no morro. Pouco tempo depois, seu filho foi encontrado morto.

Comércio foi fechado no Rio Comprido por conta de confrontos e mortes em comunidades na regiãoCarlos Moraes / Agência O Dia

O eletricista Carlos Alberto Brandão, tio de Ramon, disse que o sobrinho é nascido e criado na comunidade e trabalhava como mototaxista desde que tirou a carteira de habilitação, há 4 anos. Ele era casado e tinha um filho de 3 anos.

Através do WhatsApp do DIA (98762-8248), leitores relataram que barricadas foram colocadas no acesso à comunidade. "Estão quebrando lixeiras", disse uma leitora, que preferiu não se identificar. Para dispersar os manifestantes, policiais militares utilizaram bombas de efeito moral.

Ônibus da linha 229 (Castelo-Usina) ficou completamente destruído pelas chamas. Protesto acontece após morte de dois mototaxistas%2C dizem moradoresKarilayn Areias / Agência O Dia

Por meio da Secretaria Municipal de Educação, a 1ª Coordenadoria Regional de Educação informou que duas creches e dois Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) estão sem atendimento nesta sexta-feira em função dos conflitos. Juntas, as unidades atendem 863 alunos. Em nota, a secretaria afirmou que o conteúdo perdido será resposto.

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que o Largo do Estácio foi fechado ao tráfego, nos dois sentidos. Quem segue em direção ao Centro deve optar pela Avenida Paulo de Frontin. Para quem está no Catumbi e vai em direção ao Centro, a opção é o Viaduto 31 de Março. Quem sai da Tijuca em direção ao Centro deve optar pela Radial Oeste, Praça da Bandeira e Trevo das Forças Armadas.


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