Moradores voltam a protestar no São Carlos e Choque é acionado

Depois de uma manhã tensa, quando dois ônibus foram incendiados, manifestantes fizeram novo ato; PM revidou

Por O Dia

Rio - Após horas de tensão em uma manifestação que teve dois ônibus incendiados na manhã desta sexta-feira, nos acessos ao Morro do São Carlos, no Largo do Estácio, cerca de cem moradores voltaram a protestar contra a morte de dois mototaxistas na região no fim desta tarde.

Foram colocadas barricadas na subida da comunidade e os moradores chegaram a arremessar pedras em direção aos policiais militares. O Batalhão de Choque foi acionado e, para conter os manifestantes e liberar a via, chegaram a usar bombas de efeito moral. 

Até o início desta noite, cerca de 50 a 60 policiais do Choque, 5º BPM (Praça da Harmonia) continuavam no local para garantir que a via seguisse liberada. O trânsito no local ficou bastante complicado e parte do comércio foi fechado. Pichações em muros próximoas à subida do morro pediam paz e "saudade dos amigos Ramon e Rodrigo, mototaxistas mortos. 

GALERIA: Ônibus são incendiados após mortes no São Carlos

Moradores dizem que mortes no são Carlos são represália do Bope

Após morte de dois mototaxistas no Complexo do São Carlos%2C na noite desta quinta-feira%2C moradores incendiaram ônibus nesta sexta no Largo do Estácio e no Rio CompridoFoto%3A Carlos Moraes/ Agência O Dia

Os moradores afirmam que a morte dos mototaxistas, na noite desta quinta-feira, foi uma represália do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Um dia antes, na noite de quarta-feira, um PM do Bope foi baleado em operação na comunidade. Mais cedo, a Divisão de Homicídios (DH) esteve no local para a perícia.

Titular da especializada, Rivaldo Barbosa havia feito um apelo à população: "Que essa energia do protesto seja revertida em informações para ajudar a polícia a elucidar o caso", declarou ele. Rivaldo atribuiu ainda os frequentes ataques na região à guerra de facções rivais que disputam o território. 

Moradores do Complexo do São Carlos afirmaram que as mortes dos mototaxistas da região, na noite desta quinta-feira, foram represália do Batalhão de Operações Especiais (Bope) pelo ataque a um PM, baleado um dia antes, durante ação dos policiais no local. Os mortos foram identificados como Rodrigo Marques Lourenço, de 29 anos, e Ramon Moura, 22. 

O Bope confirmou uma operação na noite desta quinta-feira, e informou ainda que houve duas ocorrências — porém, não atribuídas aos mototaxistas —: duas pessoas foram baleadas na ação e levadas pelos policiais ao hospital. No entanto, elas não resistiram e morreram.

Após morte de dois mototaxistas no Complexo do São Carlos%2C na noite desta quinta-feira%2C moradores incendiaram ônibus nesta sexta no Largo do Estácio e no Rio CompridoFoto%3A Carlos Moraes/ Agência O Dia

No protesto desta manhã, o primeiro coletivo foi incendiado no Largo do Estácio, perto do Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) e da estação de metrô. O segundo foi incendiado na Rua Campos da Paz, na altura do número 77, no Rio Comprido. Parte do comércio na região foi fechada.

Ataques nas comunidades são provocados por guerras de facções

Representando a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o major Ivan Blaz, confirmou a operação do Bope nesta quinta-feira na comunidade. O militar afirmou que a CPP está apurando as mortes dos mototaxistas para também auxiliar a Polícia Civil.

Blaz lembrou ainda a disputa de territórios por facções rivais (ADA e CV) na região e atribuiu os ataques a isso. "Não é novidade o que está acontecendo", declarou o major, lembrando ainda que o traficante Fu da Mineira está foragido, desde que ganhou o benefício de visitar a família no último domingo, Dia das Mães: "Ele era o traficante da regiáo e está tentando retomar o território".

Porta-voz da UPP, o major Marcelo Coberge disse ainda que bandidos estão "servindo como mercenários" nas disputas de regiões. Muitos estão atuando foram de suas áreas para os ataques e a maioria deles teria saído do Chapadão e da Pedreira, onde houve operação da PM na semana passada. "Eles foram recrutados para poder participar de invasões. Como já teve muita área pacificada eles recrutam traficantes de outras regiões", declarou o PM.

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