Aliança com PMDB racha PT do Rio

Ala ligada ao ex-governador gaúcho Tarso Genro prega união com partidos de esquerda

Por O Dia

Rio - O PT fluminense chegará a seu congresso estadual, no sábado, mais dividido do que saiu das eleições de outubro. O novo motivo tem nome, sobrenome e sotaque: o gaúcho Tarso Genro, que está no Rio disposto a acabar com a hegemonia de 16 anos do PMDB no estado.

A sucessão de Eduardo Paes, em 2016, entrará na pauta do fim de semana, além da crise de credibilidade da legenda. O grupo de Genro tentará ainda impedir a confirmação do anúncio, feito em abril pelo presidente regional, Washington Quaquá, de que a sigla apoiará o ‘supersecretário’ de Paes, Pedro Paulo Carvalho. Lula apadrinha a união.

Quaquá quer a volta ao governoMaíra Coelho / Agência O Dia

Como aliados, Genro tem o deputado federal Alessandro Molon e o senador Lindberg Farias, derrotado na disputa ao governo do estado. Como adversários, lulistas e petistas desejosos de voltar à administração estadual. “O problema é que Tarso quer discutir eleição, quando deveria pensar o partido”, diz Quaquá, sobre a tentativa do ex-governador gaúcho de compor frente de esquerda, como publicou ontem o ‘Informe do Dia’.

“O PT tem de retomar bandeiras, e ele (Genro) concorda e contribuirá. Não é indicar nome em 2016, mas estar ao lado de um candidato à esquerda”, alega Molon, para quem o congresso será só o início do debate.

Fundador do PT, Genro, após o mensalão, chegou a propor a refundação da sigla. Como ele procura apartamento no Rio, especula-se a possibilidade de que troque seu domicílio eleitoral e tente o governo do estado.

Mas terá resistência. “Tarso não tem cavalo para amarrar no obelisco”, provoca Quaquá, em referência à tomada do poder por Getúlio Vargas na Revolução de 1930, quando gaúchos amarraram seus cavalos no obelisco da Rio Branco. “Vargas (gaúcho) e, depois, Brizola amarraram. Ele está longe disso”, ironizou Quaquá.

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