Por karilayn.areias

Rio - Senha para acessar a conta do banco. Senha para acessar o celular, o e-mail, a internet, a televisão. É senha para tudo! Esse código secreto que tanto é necessário, pode acabar atrapalhando nosso dia a dia. Com tantos números e grande quantidade de novas informações que chegam à nossa memória, a tendência é que a situação só piore.

Aline Gomes%2C psicóloga%3A 'Quem utiliza apenas as senhas necessárias e as cadastra de forma bem básica é mais desapegado'Alexandre Brum / Agência O Dia

Segundo especialistas, a organização desses códigos é um reflexo da personalidade do usuário. Há quem possua poucas senhas. Há também quem tenha 80 delas, caso da bancária Maristela Campbell, de 52 anos. Ela guarda em uma pasta todas as suas senhas, num papel.Diz que mesmo que muitas pessoas não gostem, não se incomoda em ter tantos códigos, pois se sente mais segura.

“Todas as minhas senhas são guardadas em casa. Acredito que seja a forma mais simples e fácil”, comenta. Ela acha que os códigos são muito importantes, principalmente quando se faz transações bancárias ou cadastros para compras online. “Com um pouco de organização e estabelecendo métodos de escolha para as senhas, a pessoa só colhe benefícios”, comentou a bancária.

A forma de como a pessoa guarda e mantém suas senhas reflete diretamente sua personalidade. É o que afirma a psicóloga Aline Gomes. Segundo ela, existem dois viés na forma de como a relação com os documentos ocorre. “Há pessoas que fazem questão de criar senhas para tudo, mesmo que não precise. Outros utilizam códigos básicos”, comentou a psicóloga.
Ela afirma ainda que estas estratégias correspondem ao modo como as pessoas lidam com a vida. “Aqueles que colocam senhas para tudo, mesmo não precisando, são os mais conservadores, geralmente com pouca confiança ao que acontece em seu redor. Já as outras, que utilizam apenas as senhas necessárias e mesmo assim as cadastram de forma bem básica, são mais desapegadas”, explicou.

Maristela Campbell%2C bancária%3A 'Com um pouco de organização e estabelecendo métodos de escolha para as senhas%2C só há benefícios' Alexandre Brum / Agência O Dia

O professor universitário Marcio Gonçalves, de 39 anos, conta que possui tantas senhas que até já perdeu as contas. “É impossível lembrar. Preciso usar o bloco de notas como extensão da minha memória”. Marcio diz que uma vez acabou bloqueando contas bancárias: “Quis passear num domingo e percebi que estava sem dinheiro na carteira. Como possuía conta em dois bancos diferentes, fui ao primeiro e acabei errando a senha e bloqueando a conta. Aí fui no outro banco. Bloqueei a senha também. Acabei voltando para casa porque não consegui tirar dinheiro de nenhum dos bancos.”

Os cuidados para não cair nas mãos dos fraudadores

Ter um monte de senhas e organizá-las corretamente pode ser uma virtude. Por outro lado, o usuário que tem diversas senhas e as espalha por todos lugares corre um sério risco de estar exposto e até ter o nome sujo por criminosos da internet.

Segundo a especialista em segurança da tecnologia da informação da Real Protect, Nadja Cunha, essa dificuldade de memorizar e armazenar as senhas pode trazer sérios problemas ao usuário: “Anotar ou guardá-las de maneira inadequada pode facilitar que elas sejam descobertas.”

De posse da senha alheia, um invasor pode ler ou apagar e-mails ou arquivos, furtar lista de contatos e usá-la para envio de spam, acessar a conta bancária, fazer desvio de dinheiro e até cometer atos ilegais em nome de outra pessoa.

Memória tem limite, mas pode durar

De acordo com Ivan Izquierdo, diretor do Centro de Memória da PUC-RS, não existe nenhum estudo que mostre precisamente o número máximo de senhas que uma pessoa seja capaz de gravar. Porém, ele acredita que a maioria das pessoas se lembra de no máximo umas seis ou sete senhas de cinco a dez dígitos.

“Não é possível medir quantos números de senhas somos capazes de gravar durante um determinado tempo ou por toda a nossa vida. Por outro lado, exercitar a a memória é fundamental para que ela continue armazenado um bom volume de informações”. Segundo Ivan, é possível manter a memória em dia durante toda a vida: “A memória de uma pessoa pode durar bastante. Existem alguns exercícios que ajudam a preservá-la.”

O jornalista Alex Viana, 25, possui mais de dez combinações. Para conseguir lembrar de todas, ele utiliza padrões parecidos. “Procuro compor senhas que tenham alguma associação com algo muito comum para mim”, conta.

*Reportagem de Vinicius Amparo 

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