Roubos de cargas levam pânico a motoristas de revendedoras de gás

'Antes que morra alguém, vamos tirar os funcionários da rua', disse o presidente do Sindicato das Revendas de Gás do estado

Por O Dia

Rio - Os sucessivos casos de roubos de cargas na Rodovia Washington Luiz estão levando pânico aos motoristas de revendedoras e empresas transportadoras de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. Ontem, cerca de dois mil manifestantes organizaram um protesto próximo à Refinaria de Duque de Caxias, Reduc, na Baixada Fluminense, cobrando segurança na região.

De acordo com o presidente do Sindicato das Revendas de Gás do estado, Crisvaldo Sousa da Silva, 53, só nesta última semana quatro cargas foram roubadas. Entre elas, uma carreta com capacidade para transportar entre mil e 1.500 botijões de gás de cozinha.

“Nos últimos seis meses, só da Supergasbras foram feitos 26 registros de ocorrência. No mesmo período, devem ter sido roubadas entre 60 e 70 cargas”, estimou. Após os roubos, diz Crisvaldo, as cargas seguem para três destinos: complexos do Chapadão e da Pedreira, em Costa Barros, e para a Favela Gogó da Ema, Em Belford Roxo, todos próximos. Um deles, o da Pedreira, é área de domínio do traficante atualmente mais procurado do Rio, o Playboy.

Aterrorizados, muitos funcionários das empresas e revendedoras preferem se demitir a continuar nos empregos. Eles contam que sofrem sequestros-relâmpagos e são levados para dentro das comunidades, onde já existe uma força-tarefa pronta para descarregar o material roubado. Geralmente, são abordados por dois carros e um motociclista. Segundo relatos, alguns motoristas são ameaçados com fuzis.

“Antes que morra alguém, vamos tirar os motoristas da rua. Amanhã (hoje) provavelmente não terá carros na rua”, disse Crisvaldo. O gás, abastecido em duas bases, uma em Macaé e outra na Reduc, é distribuído por todo o estado.

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