Por karilayn.areias

Rio - Os olhos do auxiliar de serviços gerais José Roberto da Silva, 37, não acreditavam no que viam. Pela primeira vez em sua vida, ele assistia a uma peça de teatro — e bem na favela onde mora. Dando sequência ao Festival Home Theatre, iniciativa da Agência Redes pela Juventude, o Cantagalo recebeu na noite de sábado a recifense Hilda Torres, representando um monólogo da francesa Simone de Beauvoir. Na apresentação de 20 minutos, a luta das mulheres para se livrar do jugo machista que, no século passado, as proibia de trabalhar fora.

Hilda apresenta sua peça%3A primeira vez da recifense numa favelaDivulgação

“Fiquei muito feliz por receber a peça aqui em casa”, conta Cíntia Marzano, de 34 anos, que convidou o amigo para matar a curiosidade. “É importante falar sobre a independência da mulher. Muitas vezes os homens não querem dar”, disse a anfitriã.

A peça, que atraiu a criançada da favela, calou fundo, enquanto Hilda procurava trazer à reflexão coletiva perguntas como ‘por que uma mulher não pode ser feliz sozinha?’. E parece ter surtido efeito mais rápido do que se imaginava, justamente em meio a um dos lugares mais pobres da Zona Sul.

“Proibi minha mulher de trabalhar para ficar em casa, cuidando do filho’”, revelou Thiago Johnny Silva de Souza, 22. “Ela reclamava, mas me ensinaram que mulher sempre reclama. Não sabia que era errado. Vou tratá-la melhor”, prometeu. Ao ouvi-la, Hilda se emocionou. Sabia que, mais uma vez, o teatro cumpriu o seu papel.

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