Sem teto, vítimas de explosão rezam

Moradores do Edifício Canoas, em São Conrado, agradecem por suas vidas em missa

Por O Dia

Rio - A explosão no apartamento 1001, em que morava o alemão Markus Muller, de 51 anos, foi só o começo do transtorno para os moradores dos outros 71 apartamentos do Edifício Canoas, em São Conrado, Zona Sul do Rio. Há uma semana eles não sabem o que é ter o conforto da própria casa. E continuam sem previsão de retorno. “Estamos todos espalhados. Tem gente em casa de amigos, de parentes...”, contou Vitor Chedid, de 25 anos, morador do 7º andar. “Minha rotina mudou toda, tô morando com um amigo sem ideia de quando voltarei pra casa.”

Durante missa em ação de graças ontem%2C eles se abraçaram e se solidarizaram. Alemão continua internadoFernando Souza / Agência O Dia

Ontem pela manhã, na Paróquia de São Conrado, mais de 20 moradores participaram da Missa de Ação de Graças pela prevenção de suas vidas e pelo estado de saúde de Markus, que continua internado em estado grave. Emocionados, os moradores abraçavam-se uns aos outros em frente à igreja.

Maria Neide da Silva, 64, havia reformado o apartamento há pouco tempo. Morava no mesmo andar que Markus, sua casa foi completamente devastada. Para a filha, Joanna Smarçaro, 32, o mais importante é que todos estão bem. “Meu pai ficou preso no elevador. Minha mãe havia acabado de sair da cozinha e foi para o quarto quando a explosão destruiu tudo. Ainda me dizem que as coisas vão dar certo. Mas já deram certo”, conta, emocionada. O único lugar preservado foi o quarto dos pais de Joanna.

Com dois meses de aposentadoria, a nova fase na vida de Paulo Sarmento, 65, começou complicada. “Felizmente a minha casa não teve danos, mas é um momento delicado para todos os moradores. Estamos nos ajudando. Tem tido muita solidariedade”, comentou o morador do 13º andar.

Apartamento ficou destruído após explosão Fernando Souza / Agência O Dia

Amanhã pela manhã haverá assembleia dos moradores para elaborar um plano de como restabelecer os principais serviços. A responsabilidade técnica pelas obras de reestruturação é do engenheiro Antero Jorge Parahyba, contratado pelo condomínio. De acordo com informações da 15ª DP (Gávea), funcionários do prédio foram ouvidos, além do síndico, da proprietária do imóvel e de outras testemunhas. As imagens entregues pela administração do edifício também estão sendo analisadas pelos agentes.

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