Por marcello.victor

Rio - Um morador foi baleado e dois suspeitos foram detidos acusados de trocar tiros com policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Lins, na esquina das ruas Fábio da Luz e Dias da Cruz, no Méier, na Zona Norte do Rio, no fim da madrugada desta quarta-feira. Uma arma foi apreendida. A intensidade dos tiros assustou moradores e fez motoristas que trafegavam pelo local voltarem na contramão.

Movimentação policial na Rua Fábio LuizWhatsApp O DIA (98762-8248)

Nas redes sociais, internautas relatavam momentos de pânico. "Muitos tiros e policiais na contramão na Rua Fábio da Luz, no Méier. Cuidado! Armamento pesado!", escreveu um deles. Pelo WhatsApp do Dia (98762-8248), um leitor informava que, segundo a polícia, todos os bandidos envolvidos na ocorrência eram menores de idade.

Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Lins, a vítima foi ferida por estilhaços de bala quando estava dentro de seu carro. Ela foi medicada no Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins. Os detidos foram encaminhados à 25ª DP (Engenho Novo), onde a ocorrência foi registrada.

Ainda segundo a UPP, policiais que pegavam no serviço e se deslocavam para uma das bases no Complexo do Lins flagraram os dois homens armados abordando um taxista na esquina da Dias da Cruz com Fábio da Luz, por volta das 5h30. Ao avistar a viatura, a dupla atirou contra os PMs e fugiu. Houve revide e ele s foram detidos na Fábio da Luz. A pistola foi apreendida. 

Após as prisões, moradores que acompanhavam das janelas e na rua aplaudiram a ação da PM.

Rotina de assaltos

Um morador de um dos prédios da Rua Fábio da Luz contou ao Dia que foi acordado às 5h28 com uma intensa troca de tiros na via. O coordenador de Tecnologia da Informática (TI), de 36 anos, contou que se abrigou embaixo da janela e após o fim do confronto gravou a movimentação policial atrás dos suspeitos e de armas. Segundo ele, pelo menos dois bandidos que invadiram dois prédios da rua foram detidos. Eles seriam menores de idade.

"Acordei com os tiros. Foi muito, muito tiro. A rua toda acordou. Ouvi tiro de fuzil, forte e em sequência", narrou o morador.

Grades do edifício 150 da Rua Fábio Luiz foram atingidas por disparos nesta manhãWhatsApp O DIA (98762-8248)

Segundo o profissional de informática, os assaltos na Rua Fábio da Luz são diários. Segundo ele, a rua virou rota de fuga de bandidos que praticam roubos na via e nas ruas Maranhão e Aquidabã, no Lins de Vasconcelos. Os crimes, ainda segundo relatos ouvidos por ele na região, são praticados a luz do dia por bandidos sem capacete, em motos sem placas, e também a pé. O morador revelou que recentemente o portão de garagem do prédio onde mora foi arrombado por criminosos e todas as bicicletas de condôminos foram levadas. Devido a violência, ele mudou a rotina.

"Cancelei a matrícula na academia por causa da violência. Hoje, eu tinha até pensado em dar uma corrida agora de manhã antes de ir para o trabalho, mas esse tiroteio não teve condições", lamentou o coordenador de TI. Ele sugeriu mudanças no policiamento na região do Lins e do Méier com a utilização de rondas com policiais a pé e de moto para tentar inibir a atuação dos bandidos.

Outro morador enviou fotos da grade de seu prédio, o número 150, que foi atingida pelos disparos. "Nenhum apartamento foi atingido. Há um tiro no poste e outros em frente ao condomínio, cerca de dois a três. Um perfurou a grade e chegou a atingir a casa de força, sem prejuízos", relatou.

Morador encontra cápsula de fuzil na Rua Fábio Luz%2C no MéierWhatsApp O DIA (98762-8248)

Violência cresce na região

As ocorrências envolvendo UPPs da região do Grande Méier se acentuaram em maio. Na noite de segunda-feira, um PM da UPP Camarista Méier foi baleado no ombro na Rua Barão de Santo Ângelo. A guarnição que patrulhava a localidade se deparou com bandidos armados e houve troca de tiros. O PM ferido foi socorrido para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins, onde passou por cirurgia. Os suspeitos fugiram e houve buscas na região.

Na noite do dia 17, três menores de idade da comunidade Boca do Mato, no Lins de Vasconcelos, foram baleados durante um tumulto com policiais da Camarista Méier. Dois deles foram feridos por estilhaços de bala enquanto brincavam, durante ataque de moradores revoltados à base da UPP. J., de 17 anos, apontado pela polícia como envolvido com o tráfico de drogas do local, ficou internado sob custódia no Hospital Municipal Salgado Filho (HSF) , no Méier. Ele levou um tiro de fuzil na mão e outro no pé, e foi operado de madrugada. Na ocasião, segundo a Polícia Civil, uma prima dele reconheceu que o adolescente era envolvido com o tráfico de drogas.

Três menores são baleados durante a noite no Complexo do Lins

De acordo com os moradores, J. foi ferido com um tiro de fuzil disparado por um dos policiais da UPP em um beco da comunidade. Revoltados, eles atacaram o contêiner da UPP que fica no fim da Rua Maranhão. Pedras e garrafas foram lançadas contra a sede da unidade. Em resposta, os PMs teriam disparado a esmo e lançado gás de pimenta, ainda segundo os moradores. A menina ferida, J., 13, sofreu ferimentos também por estilhaços no peito, no braço, coxa e perna, e recebeu alta no início da madrugada.

Morte de administrador causou comoção

A violência na Rua Fábio da Luz, no Méier, causou comoção nos moradores do bairro no dia 9 de maio de 2014. O administrador Sandro Dominguez Guimarães de Oliveira, então com 26 anos, foi assassinado no dia 9 de maio, às 6h58, quando saia de casa para ir à academia. Ele foi surpreendido por uma assaltante, que levou o celular e um cordão de ouro. O jovem morreu no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, após ser socorrido por vizinhos com o apoio de policiais do 3º BPM (Méier).

'Para onde ele foi, vai estar melhor do que eu', diz pai de jovem morto no Méier

Na ocasião, o pai do administrador, o técnico judiciário Oduvaldo José de Oliveira, 53, contou que, com o filho caído, o criminoso voltou e ainda pegou o celular que estava com Sandro. “Ele foi roubado de novo, quando estava agonizando no chão. Isso ocorre com muita rotina no Méier. Esses bandidos são como ratos que se espalham”, desabafou o pai, aos prantos. Sandro era filho único.

Por uma triste coincidência, o pai de Sandro tinha alertado o filho na noite anterior sobre o uso do cordão.

“Fui na casa que ele morava com a mãe. Conversamos, e ainda falei como Sandro para ter cuidado e não andar com o cordão. Não sabia, mas estava me despedindo dele. Acho que meu filho não levou a sério o recado, porque ele nunca tinha sido assaltado”, disse Oduvaldo.

Sandro tinha se formado na UniverCidade há dois anos. Na época, ele estudava para concurso público. Considerado um rapaz calmo, o administrador pouco saia de casa, segundo seu pai, e nem bebia. “Ele tinha uma preocupação com corpo. Acho que não entendi muito bem ainda o que aconteceu. Olha o presente que o bandido deu para a mãe do Sandro? Mataram o nosso único filho”, lamentou Oduvaldo.

O crime causou comoção nas redes sociais. Oito dias depois do crime, a Associação de Moradores do Méier promoveu uma manifestação reivindicando mais segurança na região. O ato foi convocado pela internet e fechou a Rua Dias da Cruz, a principal do bairro.

No dia 11 de junho, policiais da Divisão de Homícidios (DH), com o apoio de PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Camarista Méier, prenderam Welerson Lourenço dos Santos, 19, acusado do latrocínio (roubo seguido de morte) de Sandro Dominguez. Encontrado em casa, na comunidade da Xuxinha, no Jacaré, a cerca de cinco quilômetros do local do crime. Chorando, ele negou o crime após a prisão.

Uma das linhas de investigação da polícia para se chegar ao suspeito na época foram os seis antecedentes dele por crimes patrimoniais. As investigações apontaram que três horas após o crime, o acusado vendeu o celular da vítima para uma mulher na Favela do Jacarezinho, comunidade vizinha ao Jacaré. Uma camisa vermelha com a imagem de São Jorge nas costas, que o acusado teria usado no dia do crime, foi apreendida na casa dele.

Ainda segundo o delegado, imagens dos circuitos de segurança do local não mostram o rosto do criminoso, mas são claras quanto a ação. Alexandre Herdy disse que Welerson agiu sozinho, de moto e com frieza, sem chance para a vítima.

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