Menor que acusou o outro de crime contra Jaime Gold está com medo

Advogado pedirá a juiz para que adolescentes não sejam levados para a mesma unidade

Por O Dia

Rio - ‘Vamos lá? Eu estou com você, mas você tem que pagar pelo que fez.” Foi assim que a mãe do menor Y., de 15 anos, convenceu o filho a confessar à polícia o crime que cometeu contra o médico Jaime Gold, semana passada, na Lagoa. Segundo a polícia, ele e o adolescente X., de 16 anos — já apreendido — roubaram a bicicleta da vítima e X. a esfaqueou. Para a polícia, a ajuda das mães dos dois suspeitos foi fundamental para elucidar o assassinato de Gold.

A mãe de Y. recebeu o filho em sua casa, em São João de Meriti, quando o jovem ligou para ela pedindo ajuda para se esconder da polícia. Após a apreensão de X., semana passada, Y. ficou com medo e fugiu do Jacarezinho, onde vivia com a avó. Ele já havia cumprido medida socioeducativa por 45 dias e tinha cinco passagens anteriores pela polícia. A mãe convenceu o filho a se entregar e chamou a Secretaria de Desenvolvimento Social. Ontem à tarde, agentes da Delegacia de Homicídios (DH) foram à casa e levaram o menor. 

Mãe do primeiro menor apreendido acusado do crime diz que não confiava no filho porque ele mentia muito%3A garoto teria esfaqueado médicoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“Quero ressaltar a importância dessa mãe. Uma mulher de fibra, coragem, e que apresentou seu próprio filho para que ele pague pelo crime”, ressaltou a delegada Patrícia Aguiar. A mãe de X., também o acompanhou quando ele foi apreendido e disse à polícia que não confiava mais no filho porque ele mentia muito.

Aos policiais, Y. disse nesta quarta-feira que o roubo ao médico foi seu segundo crime. O primeiro, teria ocorrido no Aterro do Flamengo. Nas duas vezes, o convite teria partido do adolescente X, à quem atribuiu as três facadas que mataram Gold. Os ferimentos foram feitos porque, depois da abordagem, o médico desceu da bicicleta para entregá-la, mas os suspeitos acharam que ele iria reagir ao assalto.

A participação de Y., segundo ele próprio, foi na abordagem e quando se desfez da arma do crime ensanguentada, jogando-a no Rio Maracanã durante o trajeto de volta para casa. A bicicleta roubada fora revendida por R$ 1.700. O menor contou que pedalaram meia hora até a Lagoa e que estava sentado no quadro da bicicleta, de costas para a via. Por esse motivo, a testemunha do crime não viu seu rosto.

Advogado de Y., Rodrigo Mondego disse que o menor está com medo de X., e que vai pedir ao juiz para que seu cliente não seja levado para a mesma unidade que ele.

A mãe de Y. disse que o fiho era bom aluno até os 13 anos, quando foi morar na rua. Ela teria pedido a vários órgãos, mas não conseguiu fazê-lo voltar para casa.

Ontem, um homem foi esfaqueado na mão em passerela em Gardênia Azul, durante tentativa de assalto.

Menor volta a negar crime

Em sua primeira audiência na Justiça ontem, o outro adolescente apreendido semana passada pelo crime, que tem 16 anos, voltou a negar participação. A audiência durou cerca de dez minutos. Segundo o advogado de defesa Alberto Júnior, a polícia apreendeu o jovem pelo que ele é e não pelo que teria feito.

“Se fosse branco e não morasse na favela, não estaria preso”, afirmou Alberto Júnior. O defensor disse ainda que na próxima audiência, dia 17 de junho, apresentará testemunha-chave que vai mudar os rumos da investigação.

A defesa sustenta a tese de que o menor tem um álibi, o que provaria que ele não estava na Lagoa no momento do ataque ao médico Jaime Gold. “Vai ficar provado que não era ele, todos vão ver”, disse Djefferson Amadeur, também advogado do menor. O jovem X. foi levado para uma unidade do Degase, onde ficará internado até a decisão da Justiça sobre o caso, que deve ser dada em até 45 dias.

Uma testemunha que trabalha em Manguinhos, onde o adolescente mora, contou ao DIA que o jovem tem comportamento violento e seria responsável por vários roubos na Zona Sul. “As 15 passagens que ele teve, não chegam nem perto do que ele já fez”, afirmou a testemunha.

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