Justiça proíbe novas demolições na Favela do Metrô

Caso a prefeitura descumpra a decisão judicial, será multada em R$ 20 mil por imóvel derrubado

Por O Dia

Rio - O Tribunal de Justiça, através de uma liminar concedida pela desembargadora Sandra Santarem Cardinali nesta sexta-feira, proibiu novas demolições de imóveis na Favela do Metrô, na Mangueira, Zona Norte do Rio. Caso a decisão judicial não seja cumprida, a prefeitura pagará R$ 20 mil de multa por casa demolida. Na quinta-feira, nove construções foram derrubadas, culminando com um protesto.

Nesta sexta, os moradores realizaram nova manifestação na Rua São Francisco Xavier. Parte da rua foi fechada. O protesto, acompanhado por três viaturas da Polícia Militar, não teve registro de confronto. Os donos dos imóveis reclamam da forma em que a prefeitura agiu na demolição.

Antigos moradores da Favela do Metrô estiveram nesta sexta-feira no local na busca de objetos pessoais após a demolição dos imóveisSeverino Silva / Agência O Dia

"A prefeitura avisou somente no dia (a demolição). Eu estava pegando uns materiais que eu vendia e coloquei num automóvel e levei para a minha casa. Quando voltei, já tinham demolido tudo", lembra o comerciante Alessandro Ferreira, de 37 anos, que disse ter tido um prejuízo de mais de R$ 50 mil.

"Sustentava minha esposa e mais três filhos. Meu pai também trabalhava na loja e sustentava a minha mãe. Só consegui salvar um décimo da minha mercadoria; Calculo que foram 50 mil reais de prejuízo, fora o que não foi contabilizado", completa.

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Gustavo Duarte, presidente da Associação de Comerciantes, acusou a prefeitura de realizar as demolições antes do recurso do grupo ser julgado. "A prefeitura tinha uma notificação para derrubar as casas e lojas. Só que entramos com recurso contra essa notificação e quando estava sendo julgado o recurso o trator chegou destruindo tudo", afirma.

Ele afirmou temer pelo futuro dos moradores e comerciantes da Favela do Metrô. "O prefeito (Eduardo Paes) prometeu o 'Minha Casa, Minha Vida' para quem morava no local e não cumpriu, assim como as lojas para quem trabalhava aqui. O destino desses moradores e dos comerciantes é a rua", diz.

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