Por nicolas.satriano

Rio - Acusada de abandonar o filho de 7 anos sozinho em casa por dois dias, no Leme, foi presa nesta terça-feira e surpreendeu ao alegar que a situação era rotineira. Encontrada na madrugada enquanto bebia chope em um bar de Copacabana, a mãe do menino, de 34 anos, disse que criou o filho para ele “se virar sozinho.”

Ela alega que não abandonou a criança. Indiciada por abandono de incapaz e maus tratos, a acusada foi transferida para o presídio feminino em Bangu.

Para evitar a exposição da vítima, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), O DIA optou por não divulgar o nome da mãe.

A mulher de 34 anos%2C que abandonou o filho de 7%2C dentro de um apartamento%2C no Leme%2C foi presa na madrugada desta terça%2C num bar. Ela será levada para um presídio femininoFabio Gonçalves / Agência O Dia

Essa não foi a primeira vez que o menino foi abandonado. Segundo a delegada Izabela Santoni, da 12ª DP (Copacabana), quando a criança tinha 4 anos, vizinhos acionaram policiais para resgatá-lo. Além disso, a mulher também largou o filho mais velho, hoje com 17 anos, com uma babá.

A delegada contou que existe um registro de desaparecimento da mulher feito, na época, pela babá.

A acusada foi encontrada em um bar na esquina das avenidas Atlântica e Prado Júnior. Em depoimento, ela contou que já sabia que a polícia a procurava, mas preferiu procurar um advogado.

“Ela tem plena ciência do que aconteceu. E falou que ele estava acostumado a se virar sozinho. Ela não via o menor problema neste tipo de conduta”, disse a delegada. A mulher contou ainda que deixou o menino estava dormindo e que não ficou fora por dois dias. 

Justiça determina que menino fique em abrigo

A 1ª Vara da Infância e da Juventude determinou nesta terça-feira que a criança ficaria sob a guarda da avó materna, que já tem a tutela do neto mais velho. Desde que foi resgatado por bombeiros, o menino de 7 anos estava num abrigo em Del Castilho. No entanto, à noite, a Justiça voltou atrás na decisão sem explicar os motivos.

A acusada tem passagens por uso de drogas, furto e desaparecimento. A avó materna e o pai da criança, um holandês que trabalha no México e chega amanhã ao Brasil, vão depor.

Segundo vizinhos, a acusada é vista com frequência na região e aparentemente alcoolizada. Um deles contou sobre briga que ela teve com uma cabeleireira. “Ela queria usar química para a criança ficar loira, parecendo gringo, mas o cabeleireiro se recusou.”

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