Morador denuncia ameaça feita por policiais da UPP Parque Proletário

Luciano Garcia filmou ação de PMs em protesto após morte de mototaxista; Comando da UPP vai apurar as denúncias

Por O Dia

Rio - Afirmando ter sido ameaçado por PMs da UPP Parque Proletário, na Penha, o morador da comunidade, Luciano Garcia, de 34 anos, decidiu se mudar de sua casa com sua mulher e a filha de 7 anos há um mês. O consultor de projetos filmou a ação de policiais durante protesto de moradores contra a morte de um mototaxista na região em fevereiro. Segundo ele, após o fato, a fachada de sua casa foi alvejada cinco vezes. Além disso, chegou a ouvir de um PM que ele "acertaria a sua cabeça".

Luciano publicou o vídeo do protesto nesta sexta-feira e voltou a lembrar da ameaça. Ele diz que ficou com receio de publicar antes as imagens, já que ao passar pelos policiais diversas vezes eles os intimidavam: "Olha o cinegrafista, o repórter aí", diziam os PMs. Agora, o morador do Complexo da Penha está em outra localidade da região: "No dia que a minha casa foi alvejada, estava jantando com minha mulher e filha, que ficou traumatizada. Ela foi a principal razão para eu me mudar dali. A fachada está com as marcas", contou ele. 

Já outro dia, ele chegou a ir até a sua janela para falar ao telefone, quando viu que estavam atirando na direção de sua casa: "Decidi sair dali e me abriguei dentro de casa. Ainda ouvi a ameaça do PM que se eu aparecesse ali de novo ele me acertaria", relatou ele.

Luciano admite que teve receio durante esse tempo e que não quis denunciar a ameaça e as intimidações para a Polícia Militar e a Polícia Civil, porque, segundo ele, "não adiantaria". "Decidi publicar este vídeo que dá para ver os policiais atirando no dia que fiz a filmagem. É uma forma de divulgar o que aconrtece na comunidade".

Ele diz ainda que reconheceria dois PMs que o intimidavam: "Quando eu passava pelo beco eles soltavam indiretas. Já o policial que me ameaçou não há condição. eu estava na janela e tive que correr para fugir do tiro. Ouvi aquilo e não havia a menor condição de voltar epara olhar para a cara dele", afirmou. 

Procurada, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que o vídeo será encaminhado para o comando da UPP Parque Proletário, que vai analisar as imagens para tentar identificar os policiais e apurar as denúncias.

Protesto ocorreu após morte de mototaxista em fevereiro

O mototaxista Diego da Costa Algarves, de 22 anos, morreu no dia 8 de fevereiro no Parque Proletário com um tiro nas costas após ser abordado por policiais da UPP na Rua São Lucas. Segundo os moradores, a polícia atirou no jovem por ele não ter acatado de imediato uma ordem de PMs para que parasse a moto.

No dia seguinte, moradores protestaram contra a morte do jovem na comunidade. O vídeo feito por Luciano mostra a ação de policiais na Rua 14. 

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