Quadrilha que vendia habilitações é presa

Esquema que envolvia 231 pessoas foi desmontado. Acusado de chefiar andava de helicóptero

Por O Dia

Rio - Após sete meses de investigações, a Polícia Civil desarticulou ontem a maior quadrilha especializada em falsificar e vender carteiras de motorista do estado. Nove pessoas foram presas acusadas de agirem na capital, Baixada e Volta Redonda, no Sul Fluminense. Segundo a polícia, o grupo vendia mil habilitações por ano, com um faturamento de R$ 3 milhões.

Para que o esquema se tornasse cada vez maior, algumas das pessoas que compravam a carteira eram aliciadas a arrumar para os criminosos outros compradores. “As pessoas levavam uma ‘comissão’ de R$ 250 a R$ 300 por cada documento vendido”, destacou o delegado da 35ªDP (Campo Grande), Hilton Pinho Alonso.

Presos são acusados de aliciar motoristas a vender mais habilitações falsificadas. Polícia investiga se há participação de funcionários do DetranSeverino Silva / Agência O Dia

No esquema — que seria chefiado por Carlos Marcelo Santos Medeiros, também preso — participavam 231 pessoas. Carlos Marcelo tinha, segundo investigações, uma vida de alto padrão financeiro. Morador do Cachambi, ele pagava prestação mensal de R$ 8 mil por um carro e se locomovia de helicóptero. Na casa dele foram achados documentos falsos e um carimbo de Detran.

O esquema era tão organizado tinha até um advogado, também preso ontem. Alexandre Rodrigues dava uma espécie de suporte aos clientes que tivessem problema com os documentos. “O advogado atuava no pós venda. Se a polícia desconfiasse, ele era acionado e tentava ludibriar os policiais, às vezes até oferecendo suborno”, contou o delegado.

Ainda segundo Hilson Pinho, cada carteira era vendidas entre R$ 2,5 a R$ 4 mil. Somente nos últimos dois meses, 250 carteiras irregulares foram expedidas. Quem comprou o documento pode responder por falsificação de documento público. Mais de 150 pessoas que estavam com as carteiras falsas prestaram depoimento.

A falsificação era feita a partir dos espelhos originais do Detran. A polícia ainda investiga se alguém do órgão está envolvido. Quando os espelhos do Rio acabam, eles pegavam na Bahia. Os acusados serão indicados por organização criminosa. Foram cumpridos 151 mandados de busca e apreensão. Uma pessoa está foragida e a outra faleceu.

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