Ativista social Raull Santiago é contra redução da maioridade penal

'Quando você nasce na favela, nasce com um forte estigma de que não vai dar certo', diz ele

Por O Dia

Rio - Na quarta,  O DIA promove uma série de debates sobre a Maioridade Penal. O ativista Raull Santiago, 26, do Alemão, é contra. Segundo ele, há questões que deveriam ser discutidas antes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, que completa 25 anos em julho.

ODIA: Você é a favor ou contra a diminuição da maioridade penal. Acredita que a medida possa solucionar os problemas de violência nacional?

RAULL: Sou contra a diminuição, têm muitas coisas que precisam ser discutidas antes. O Estatuto da Criança e do Adolescente precisa ser analisado, e isso precisa acontecer antes de ir para uma medida como essa. Precisamos discutir por que esse jovem vai para a rua, por que vai para tráfico.

Raull Santiago%2C do Alemão%3A contra a redução da maioridade penalFernando Souza / Agência O Dia

O que você acredita que poderia estar sendo feito para diminuir os índices de criminalidade e para que esses jovens não acabem entrando nela?

Precisamos de mais políticas públicas. Os governantes precisam ouvir o que o jovem quer. Quando temos cortes de gastos como os que o estado tem feito, gera um retrocessoe muito grande, acabamos ficando com o saldo negativo, acabamos ficando sem cursos. Sem estar envolvido em algo produtivo, o jovem volta-se para a criminalidade.

Para o jovem que nasce na favela ou em periferia, você acha que ainda há algum tipo de estigma quando ele tenta fazer algo dentro da sua comunidade?

Acredito que quando você nasce numa favela você nasce com um estigma de que não vai dar certo. Esse estigma de ‘não vai dar certo’, é mais forte, é difícil vencê-lo.

O que pode ser feito para mudar o cenário?

Com a facilitação da mídia alternativa estamos impondo nossa sobrevivência, nossa existência, denunciamos abusos, somos nós por nós.

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