No dia de Santo Antônio, mais de 200 mil cariocas rezam por amor e mesa farta

Devotos celebram o padroeiro dos casamentos e da fartura

Por O Dia

Rio - Em tempo de crise, além de casamenteiro, Santo Antônio está sendo bem lembrado este ano para garantir a fartura nos lares cariocas. A doação dos pães à igreja para serem distribuídos entre os devotos após a benção neste sábado começou cedo na véspera. A grande quantidade arrecada é para atender bem a previsão de 200 mil visitantes no convento, no Largo da Carioca, o templo mais tradicional do santo no Rio. Religiosos recolherão mais de 150 mil pãezinhos e centenas de pedaços de bolo, considerados amuletos para a fartura doméstica e devem ser conservados em recipientes de mantimentos. Na igreja, haverá missas de hora em hora, entre 6h e 19h.

A previsão de lotação máxima do local, alvo maior da peregrinação, simboliza a tradição secular que veio da Europa e fincou raízes no Brasil. O cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, por exemplo, preside a missa solene em homenagem ao santo a partir das 10h, na catedral da Avenida Marechal Floriano Peixoto, no Centro de Nova Iguaçu, cidade que tem Santo Antônio como padroeiro, e às 19h na Pavuna.

O padre Paulo Hamurabi olha com fé para a imagem de Santo Antônio. A procissão sai da Paróquia de Nossa Senhora dos Pobres%2C na Rua dos Inválidos%2C na Lapa%2C às 16h30Joao Laet

O Santo também é padroeiro do município de Duque de Caxias, onde missas serão celebradas de hora em hora, a partir das 6h. Para Dom Orani, o Santo simboliza bem a herança de fé deixada pelos portugueses em solo tupiniquim. “Santo Antônio é um dos mais populares nos países de tradição portuguesa”, expplica o religioso. “As imagens e estátuas que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus nos braços, que lembram uma aparição milagrosa, mencionada por algumas fontes literárias são muito estimadas em todo Brasil”, afirma o cardeal.

Contudo, é a fama de casamenteiro que atrai pessoas das mais variadas idades. Nesta sexta-feira, na Paróquia de Santo Antônio dos Pobres, na Lapa, dona Fátima Paes Leme, de 60 anos, e sua neta Gabriela, de 13, antecipavam as preces. Viúva há 14 anos, ela lembra das orações, antes de conhecer seu marido, com quem viveu por 24 anos. “Ele se foi, mas ficou o sentimento por toda a vida e a certeza de que Santo Antônio estará sempre ao meu lado”, disse dona Fátima, emocionada.

A jovem Gabriela garante já “ter nascido com aquela fé inexplicável”. O desconcerto entre avó e neta só aparece quando a adolescente deixa escapar que as preces deste sábado terão um pedido especial: um namorado. Por que não? Compreensiva, a avó arregala os olhos e repreende, em tom de brincadeira. “Nem pensar!”, antes de cair na gargalhada. Elas vão embora, enquanto ajeitam alguns pãezinhos em uma bolsa.

Que eles tragam fartura.

Pão e casamento no Convento de Santo Antônio

A devoção ao santo atinge todas as idades e propósitos. Para Elza de Oliveira, de 94 anos, a devoção vem de longe. “Venho toda terça aqui na Carioca desde agosto de 1955. Vai fazer 60 anos dia cinco de agosto”, afirmou. Sozinha e independente, Dona Elza se ajoelhou num dos bancos da antiga Igreja de Santo Antônio na Carioca para fazer suas preces e vai voltar este sábado para pegar seu pãozinho. “Comecei a vir depois que a minha mãe morreu e sempre estou aqui”.

A consultora de beleza Ana Carolina Farias, 23, foi fazer suas preces a Santo Antônio e tentar conseguir antecipadamente um pãozinho para colocar entre os presentes para o namorado, um livro e um balão em forma de coração. “Vim aqui para agradecer tudo que tem acontecido comigo, inclusive namorar o Anderson há 3 anos”, explicou. Ela contou que o namoro tem uma vivência católica e que tudo começou com uma mãozinha do santo. “Éramos amigos do mesmo grupo religioso. Quando nos aproximamos, pedi a Santo Antônio e Nossa Senhora para interceder e mostrar se isso era a vontade de Deus, e aconteceu. Estamos juntos desde então”, disse com um sorriso.

Devoção sem idade%3A Dona Elza%2C 94%2C é devota desde 1955. A consultora Ana Carolina%2C 23%2C vai aos cultos pelo menos uma vez por semana João Laet / Agência O Dia


O milagre do casamenteiro

Santo Antônio é lembrado como casamenteiro por causa de um milagre. Diz a tradição católica que uma senhora em dificuldades financeiras teria resolvido prostituir a filha, mas a moça se negou e pediu ajuda à Santo Antônio rezando em frente a uma imagem, quando caiu um papel.

No papel, estaria escrita a mensagem: “Senhora, queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio.” A história conta que a jovem correu com o bilhete na mão à loja de um comerciante. Ele achou graça. Mas, vendo a atitude modesta e digna da moça, colocou o bilhete num dos pratos da balança e no outro deixou cair uma moedinha de prata. O bilhete pesava mais que a moeda.
Intrigado e sem entender o que acontecia, o comerciante foi colocando moedas, só conseguindo equilibrar os pratos da balança quando as moedas chegaram a 400 escudos.

A moça começou a ser procurada por rapazes que lhe propuseram casamento, o que não tardou a acontecer, e o casamento foi muito feliz. Conta-se que, daí por diante, as moças começaram a recorrer a Santo Antônio sempre que pensavam em tentar encontrar um namorado.

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