Adolescente é baleado em casa na Rocinha e pai critica ação policial

Wesley Barbosa, de 13 anos, estava em sua sala quando foi atingido de raspão durante tiroteio entre PMs e bandidos

Por O Dia

Rio - "Não sei de onde veio o tiro, se de bandido ou policial. Mas para fazer uma operação numa comunidade a PM deve planejar. Houve tiroteio e meu filho, um menino de 13 anos, acabou ferido. Fui obrigado a vê-lo todo ensanguentado. Fiquei desesperado". O desabafo é de Eduardo Pereira, 36 anos, pai do adolescente Wesley Barbosa de Oliveira, baleado de raspão na cabeça dentro de casa, na Rocinha, no fim da manhã desta quarta-feira, durante tiroteio entre policiais e criminosos. O menino, que havia acabado de levantar do sofá, foi levado pelo pai para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde passa por exames. Segundo a secretaria de Saúde, o estado de saúde do jovem é estável. Ele não passará por cirurgia e está em observação na unidade.

Polícia faz operação na Rocinha

"Na hora que vi meu filho daquele jeito não pensei em nada, nem em pedir ajuda de policiais. Trouxe ele correndo para o hospital. Na hora, me deu muita raiva desse absurdo. Mas a vontade de salvá-lo foi ainda maior. Ele estava trêmulo. Eu e minha esposa ficamos desesperados e corremos", relatou Eduardo, que é porteiro de um condomínio. Ele e a mulher, Cláudia Barbosa, 42, moram com o filho no Cesário, onde o menor acabou sendo ferido. 

Pai do menor Wesley Barbosa%2C de 13 anos%2C baleado de raspão dentro de casa na rocinha%2C Eduardo Pereira critica ação policial na comunidadeSeverino Silva / Agência O Dia

Desde as 5h desta quarta-feira, o Comando de Operações Especiais (COE) realiza operação na comunidade com o apoio da UPP local. A ação para combater traficantes que ainda atuam na região conta com a participação dos batalhões de Operações Especiais (Bope), de Choque (BPChoque), de Ações com Cães (BAC) e do Grupamento Aéreo Marítimo (GAM). Os policiais entram na favela com o auxílio de blindados e helicópteros.

O pai da vítima critica a falta de planejamento durante a operação e diz ainda que pretende mudar de localidade dentro da comunidade. "Minha sobrinha estava indo para o trabalho e PMs mandaram ela voltar para casa. Como pode isso? Somos trabalhadores e temos que ligar para nosso patrão para avisar que não vamos porque moramos em uma comunidade. As ações têm que ser planejadas. Moramos em área de risco, mas somos trabalhadores", disse Eduardo, que é porteiro de um condomínio. "Moro há 36 anos ali. Não quero sair da Rocinha. Mas vou sair dessa localidade e vou para mais perto da rua", completou. 

PMs fazem operação nesta quarta-feira para combater o tráfico na RocinhaSeverino Silva / Agência O Dia

Nas redes sociais, moradores relataram uma intensa troca de tiros na Rocinha, além de explosões de bombas e barulho de fogos de artifício. Apesar de contar com uma unidade de polícia pacificadora, duas facções disputam o domínio na enorme região.

Durante operação policial na Rocinha%2C nesta quarta-feira%2C moradores se assustaram com tirosSeverino Silva / Agência O Dia

Até o momento, o BAC aprendeu três granadas de fabricação caseira e um simulacro de fuzil. A ocorrência será encaminhada para a 11ª DP (Rocinha).

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