PM precisa de cirurgia, mas hospital da corporação diz não ter dinheiro

O DIA denunciou desvio de recursos com exclusividade

Por O Dia

Paulo trabalhou 30 anos na corporação e diz que está decepcionadoReprodução

Rio - O escândalo de desvios de verbas no setor de Saúde da Polícia Militar, com prejuízos superiores a R$ 16 milhões — noticiado com exclusividade pelo blog ‘Justiça e Cidadania’, em outubro do ano passado — não põe em risco apenas a ética e os cofres públicos.

O lado mais cruel da falta de recursos pode ser dimensionado na história do sargento reformado Paulo Roberto Dias Ramos que, aos 69 anos, precisa de colocar cinco pontes de safena no coração para continuar vivo, mas não consegue fazer a cirurgia no Hospital Central da PM (HCPM), que, que segundo ele, alega estar sem verba.

“Após 30 anos de serviço e reformado com ficha limpa e louvor, não acredito mais em nada. A PM me virou as costas e só quero ir para casa, morrer com minha família”, desabafa o militar.

Paulo ficou 32 dias internado na unidade do Estácio e conta que adquiriu uma bactéria. Ele foi mandado para casa para tratar a infecção. “Os médicos disseram que, internado, ele não se livraria do problema, pois o hospital está tomado por bactérias”, recorda a filha do sargento, Mônica Conceição Moraes, 52 anos.

Recuperado, Paulo voltou três vezes ao HCPM para tentar marcar a cirurgia, mas os responsáveis disseram que não havia dinheiro para pagar os convênios.

"Ele passou mal no sábado e fui ao Hospital Municipal Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias. Eles fariam a cirurgia, mas a PM não fez em meu pai, durante o tempo em que ele ficou internado, todos os exames. Agora, pode ser tarde”, lamenta Mônica. Segundo ela, o último pedido ao HCPM foi um laudo para conseguir uma ordem judicial, mas o HCPM negou o documento. A assessoria da PM informou ontem que não conseguiu contato com a direção do HCPM.

Falhas de memória e cardíaca

Paulo Roberto tem cerca de 95% da função cardíaca comprometida. O problema começou após um infarto, em abril. Com dificuldade de fazer o sangue circular pelo corpo, Paulo apresenta falhas de memória e, às vezes fala coisas sem sentido, segundo a Mônica.

“Meu pai diz que os oficiais do hospital vão acabar prendendo ele. Faz confusão com o tempo em que estava na ativa. É triste saber que isso pode ser corrigido com a cirurgia, que é direito dele”, ressalta a filha do militar.

Depois de negar que o caso era grave, uma oficial, identificada como doutora Rose, mandou Mônica ir a outra unidade, na última visita ao HCPM. “Corre com seu pai, porque aqui não dá”, disse Rose, segundo Mônica.

PM sofre aborto ao fugir de ladrão pela janela de casa

Grávida de três meses, a soldado PM L., de 26 anos, perdeu os gêmeos que esperava ao pular de uma altura de três metros, do segundo andar do prédio que mora, invadido por um bandido, na manhã de ontem, no Cachambi.

A soldado teve a casa invadidaReprodução

A soldado fazia faxina em casa quando o suspeito invadiu o apartamento e a rendeu. Supondo que ele poderia ter comparsas e que os bandidos poderiam matá-la ao descobrirem que ela é policial, a jovem tentou arriscar e escapar do bandido pela janela do imóvel.

A soldado, que trabalha na Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), ligou para o 190, que acionou uma viatura do 3º BPM (Méier). A policial foi socorrida e levada para um hospital particular no Méier. Ela não sofreu lesões externas no corpo, mas acabou perdendo os os bebês, que seriam seus primeiros filhos.

Ainda segundo relatos, o criminoso que a surpreendeu teria mandado a militar tirar a roupa e fugiu levando uma mochila e a farda da soldado.

Investigadores da 23ª DP (Méier) tomaram o depoimento da vítima e estão em busca de testemunhas e imagens de câmeras que possam ter flagrado a ação e ajudem a identificar o criminoso.

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