Invasão ao Sindicato dos Comerciários acirra acusações de chapas

Duas mil pessoas votaram para escolher a nova diretoria da instituição

Por O Dia

Rio - A polícia ainda está apurando a autoria da invasão. O incidente colocou mais tensão nas acusações entre os grupos que disputam o comando do sindicato. Três chapas concorreram ao pleito, com uma polarização entre a 1 e a 3. A Chapa 2 é composta por diretores do Sindicato ligados à gestão de Otton Mata Roma, que foi afastado pela Justiça no ano passado. O interventor José Carlos Nunes afirmou que a UGT é a “principal suspeita” do ato. A central é ligada à família Matta Roma: Otton Mata Roma foi Secretário de Relações Internacionais da central.

Cerca de 200 pessoas foram presas após ataque violento com bombas e outras armas na sede do Sindicato dos Comerciários. Ônibus que trouxe o grupo foi revistado pelos PMsFoto%3A Osvaldo Praddo / Agência O Dia

“A UGT presidia as comissões eleitorais na época do Mata Roma e fazia eleições fraudadas. Eles são os principais suspeitos”. Os membros da UGT estavam no Congresso Nacional da central e não foram encontrados.

O interventor também afirmou que vai acionar judicialmente um diretor da CUT que aparece em um vídeo pedindo o adiamentos das eleições. Para Nunes, ele foi responsável por “incitar o ódio” durante o processo eleitoral. A CUT teve sua chapa impugnada pela comissão eleitoral e acusa o interventor de apoiar a Chapa 1.

FOTOGALERIA: Mais de 200 pessoas são presas na sede do Sindicato dos Comerciários

Segundo Marcelo Ayer, da Chapa 1, as acusações da CUT ocorreram porque a chapa foram impugnada. “Todas as centrais sabiam que o pleito iria ocorrer. Nós fizemos o dever de casa e fizemos um trabalho de base. Elas comeram mosca e agora estão fazendo acusações”, afirma o candidato.

Grupo de 202 vândalos invade sindicato em dia de eleição

A primeira eleição democrática do Sindicato dos Comerciários do Rio em 49 anos virou caso de polícia depois que um bando de 202 pessoas invadiu a sede da instituição, na Lapa. O grupo foi detido na madrugada de ontem e levado para a Cidade da Polícia. Os vândalos vieram de São Paulo em quatro ônibus. Em dois deles, foram apreendidos simulacro de pistola, soco inglês, faca e canivete, além de drogas, fogos de artifício e fumaças sinalizadoras, muito usadas por torcidas organizadas em jogos de futebol.

Segundo um levantamento feito pelo sindicato, os invasores depredaram portas, vidros e vários equipamentos pertecentes ao edifício-sede do sindicato, além de destruírem R$ 40 mil em cheques pré-datados. Segundo o interventor José Carlos Nunes, eles buscavam por documentos.

Durante a madrugada, a polícia também apreendeu um Renault Duster, com placa de Belo Horizonte e material de campanha da Chapa 3. Ademar Isidoro, candidato à presidência por esta chapa, afirma que o carro foi apreendido na Rua Gomes Freire, em outro ponto da Lapa — informação confirmada pela Polícia Civil. Para ele, houve tentativa de plantarem falsas informações contra o grupo.

“Nossa chapa é pobre, composta de trabalhadores. Nem pudemos fazer campanha hoje porque todo o material disponível estava no carro”, afirma.

Apesar da invasão, a eleição transcorreu com tranquilidade. A partir da divulgação do resultado, abre-se o prazo de 48 horas para recursos à Comissão Eleitoral. A posse da nova diretoria colocará fim ao domínio de meio século da família Mata Roma sobre o sindicato. Otton Mata Roma, que presidia a entidade até ser afastado pela Justiça, no ano passado, é suspeito de nepotismo e de desvios que provocaram rombo de quase R$ 100 milhões nos cofres da entidade, conforme publicou O DIA com exclusividade no domingo. Em entrevista exclusiva ao jornal, ele afirmou que hoje “vive com ajuda da mãe e da sogra”.

Segundo Carlos Augusto Sampaio, procuradror do Trabalho, a intervenção terminará após as eleições, mas as denúncias feitas pelas chapas durante o processo ainda serão apuradas. Além disso, o processo contra o Mata Roma continuará. “A ação civil pública que resultou no afastamento ainda vai prosseguir, pois há um pedido de condenação dele”.

Reportagem de Eduardo Ferreira, Luisa Brasil e Marcello Victor

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