'Não quero voltar para a Rocinha nunca mais',  desabafa menino baleado

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e saber de onde partiu o tiro que atingiu Wesley Barbosa, de 13 anos

Por O Dia

Rio -  ‘Foi Deus que me salvou. Só queria proteger minha mãe dos tiros e fui atingido. Não quero voltar para minha casa na Rocinha nunca mais”. O desabafo é do adolescente Wesley Barbosa, de 13 anos, atingido por um tiro de raspão no rosto durante um tiroteio na Rocinha, na manhã de quarta-feira. Ele deve ter alta nesta quinta do Hospital Miguel Couto, na Gávea, onde está internado. O menino não precisou passar por cirurgia.

PMs do Comando de Operações Especiais fizeram ação de combate ao tráfico, que terminou em confronto Severino Silva / Agência O Dia

A 11ª DP (Rocinha), instaurou inquérito para apurar o caso e saber de onde partiu o tiro que atingiu Wesley, já que havia uma ação de combate ao tráfico feita por policiais do Comando de Operações Especiais (COE), que abrange os batalhões de Operações Especiais (Bope), de Choque e de Ações com Cães (BAC).

Wesley%3A ‘Tenho novo aniversário’Reprodução

“Vou oficializar todas as unidades que participaram da operação para saber quem estava na localidade onde o menino foi atingido. A vítima, de forma preliminar, descreveu a origem do disparo como sendo oposta ao local onde se encontravam os policiais. Não podemos descartar nada”, afirmou o delegado da 11ª DP (Rocinha), Gabriel Ferrando.

Assustada, a mãe de Wesley, Claudionora Barbosa, 44, disse que o filho está traumatizado. “Eu tinha acabado de levantar do sofá. Ele me avisou: ‘Mãe, sai daí’ e, quando me viu na janela, foi atingido ainda de pijama. Meu filho terá agora dois aniversários a comemorar, o dia do nascimento e o dia que escapou da morte”, disse Claudionora.

O pai de Wesley, Eduardo Pereira, 36, criticou a ação da polícia. “Não sei de onde veio o tiro, se de bandido ou policial. Mas para fazer uma operação numa comunidade a PM deve planejar”, ressaltou. Durante operação, os agentes apreenderam oito granadas de fabricação caseira, oito morteiros e um simulacro de fuzil. O material foi localizado pelo cão Clint, do BAC. Este ano, o mesmo farejador encontrou um fuzil no Complexo de São Carlos, no Estácio. Ainda foram apreendidas seis motos e outras nove com infrações.

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