Por felipe.martins

Rio - Após O DIA denunciar desde domingo a venda de réplicas de armas por parte de comerciantes do Santuário de Aparecida e de a polícia ter admitido que a cidade do interior de São Paulo é entreposto de criminosos, a reportagem encontrou nesta quinta-feira alguns tipos de armas de brinquedo em lojas da Saara, principal comércio popular no Centro do Rio.

Vendido em kit de R$ 30, o brinquedo, fabricado por empresas chinesas e brasileiras, traz submetralhadora de plástico, que mede cerca de 30cm, e outros acessórios, como granada, binóculos, máscara e rádio transmissor. Apesar de não passar por réplicas de armas, o brinquedo é reprovado por especialistas em segurança e até pais. Em algumas lojas da Saara, há ainda facas de brinquedo, vendidas em cartelas semelhantes às das metralhadoras.

Kit com arma e granada vendido no Rio não parece de verdade%2C mas é recriminado. Diego Valdevino / Agência O Dia

“Não compro isso para o meu filho de 9 anos. Estão longe de serem uma réplica. Estas armas podem influenciar a criança a gostar deste tipo de coisa. Compro bonecos, carrinho, mas arminha, mesmo que de plástico, nem pensar”, comentou a dona de casa Lilian Suely, de 36 anos.

Segundo o especialista em segurança pública, o ex-capitão do Bope Paulo Storani, a arma de brinquedo, embora seja um produto inofensivo e longe de ser caracterizado como réplica de arma, pode ser perigosa se confundida durante o uso à noite. “Imagina se, numa abordagem policial, um suspeito tem uma arma de brinquedo escondida na cintura? À noite ou num sinal de trânsito, não há como diferenciar de um réplica ou uma arma original. É um brinquedo perigoso.”

A mesma opinião têm o ex-coronel da PM, Paulo Amêndola. “A criança não pode crescer tomando gosto por uma arma de brinquedo. Já houve um caso recente em que uma pessoa foi presa usando um controle de videogame como arma, para assaltar”, lembrou.

Através de nota enviada à redação, a Indústria Nacional de Brinquedo (Abrinq), informou que os fabricantes nacionais decidiram há 18 anos parar a fabricação de arma de brinquedo em escala. Ainda segundo a nota: “O que pode ser vendido tem que ser multicolorido, não pode ter cano, não pode parecer arma”.

Deputada quer punir fabricantes

Autora do projeto de lei que proíbe a fabricação, a venda e a distribuição de armas de brinquedo que disparam qualquer tipo de projétil, como espuma ou laser, a deputada estadual Martha Rocha (PSD), pediu punição para aos fabricantes destes produtos.

“Sabe porque ainda vendem nas lojas? Porque não há nenhuma punição para os fabricantes de réplicas. Elas podem ser confundidas com armas de verdade”, afirmou a ex-chefe de Polícia Civil. A Assembleia Legislativa do Rio aprovou, no dia 27 de maio deste ano, um projeto de lei que proíbe a fabricação, a venda e a distribuição de armas de brinquedo no estado.

Polícia faz operações em Aparecida

O delegado de Aparecida, Adilson Marcondes, q<CW1>ue investiga a atuação de uma quadrilha que se aproveita da religiosidade na cidade do interior paulista para vender armas falsas importadas, garantiu que operações vão continuar sendo feitas na região. Nos últimos anos, já foram apreendidas mais de 1,5 mil réplicas de fuzis, rifles, carabinas, metralhadoras, revólveres e pistolas. Só na última apreensão, a maior delas, em agosto de 2014, policiais civis recolheram 800 imitações de armas.

Temos feito estas operações, que vão continuar, para combater este comércio ilegal.Estas cópias, mesmo sendo de brinquedo, podem servir para um criminoso intimidar alguém. É muito perigoso”, comentou o policial.

No Santuário Nacional de Aparecida, onde existem 380 lojas, alguns comerciantes descumprem o Estatuto do Desarmamento e vendem as armas de brinquedo.  Entretanto, desde quarta-feira, os lojistas retiraram os produtos das prateleiras. As armas de brinquedo vendidas em Aparecida são produzidas na China, segundo informou o delegado.

Você pode gostar