Vítima fatal prometeu que reagiria se fosse assaltado novamente

'Não aguento mais. Da próxima vez que eu for assaltado, vou partir para cima', disse o promotor de vendas esfaqueado

Por O Dia

Rio - Foi sepultado nesta sexta-feira o corpo de Gustavo Alves, de 35 anos, morto a facadas embaixo de um viaduto da Linha Amarela, em Pilares, na Zona Norte. Emocionados, amigos e parentes de Gustavo pediram justiça durante o enterro. Inconformado com os casos de violência e cansado dos frequentes assaltos - foram cinco só neste mês - foi revelado ao DIA por uma amiga de Gustavo que ele prometeu reagir à próxima tentativa de roubo. O resultado foi trágico. 

Emocionada, a amiga de Gustavo, Érica Oliveira, 35, autônoma, contou que Gustavo foi assaltado há cerca duas semanas e disse a ela: "Não aguento mais. Da próxima vez que eu for assaltado, vou partir para cima".

Inconsolável%2C a mãe de Gustavo%2C Isabel Cristina%2C chora e passa mal%2C durante o enterroCarlo Wrede / Agência O Dia

Inconsolável, a mãe do promotor de vendas, Isabel Cristina, disse não poder perdoar o assassino. "Tenho ódio do assassino do meu filho. Não o perdôo. Ele é um monstro", disse aos prantos. E acrescentou: "O meu filho está com a cara cortada por causa de um celular e R$ 20". Momentos depois, durante o rápido velório, Isabel gritou "quero meu filho!". Isabel chegou a desmaiar e foi socorrida por amigos. 

O promotor de vendas também era presidente, há 1 ano e meio, do grupo de quadrilhas 'Chuva de Prata'. Também nesta sexta-feira, o grupo se apresentou no Caju e, em homenagem a Gustavo, se apresentaram com camisas brancas com foto dele.

O caso aconteceu numa pequena e sombria trilha sob a Linha Amarela, nas proximidades da Favela Fernão Cardim. O trabalhador, que pegou um atalho para se deslocar entre duas lojas que atendia, foi assassinado com dois golpes ao reagir a um assalto. 

Segundo a irmã da vítima, Joice Alves, Gustavo havia sido roubado outras quatro vezes em pontos de ônibus ou deslocamentos no trabalho, somente no mês de junho. Em três ocasiões, pertences como relógio e dinheiro foram levados. No entanto, na quarta vez, o seu celular também foi levado. As ações ocorreram em frente ao Norte Shopping, a poucos metros do local onde ele morreu, e na Taquara.

“O dinheiro, R$ 20, ficou dentro da mochila. O bandido só levou o celular velho. O celular custou a vida dele”, disse Joice, antes de questionar a violência e casos frequentes com facas. “Dá um ódio da impunidade. Cadê os governantes? Cadê? Ninguém aparece. Só aparecem para falar de obras. A violência está demais. É tiro, facada, matando gente inocente. O que é isso?”, desabafou.

Segundo testemunhas, Gustavo reagiu e acabou sendo esfaqueado pelo menos duas vezes, no pescoço e no peito, e morreu na hora. O suspeito, que pode ser um usuário de crack, já que há relatos de que alguns roubam para sustentar o vício, conseguiu fugir sem ser identificado.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, que informou através de nota, que as investigações estão em andamento. Segundo a Polícia Civil, foi realizada perícia no local e testemunhas foram ouvidas. Imagens de câmeras de segurança que possam identificar o suspeito também estão sendo procuradas. Nesta quinta-feira, PMs realizaram blitz no local, o que, segundo pedestres, é comum. “O problema é quando eles (policiais) saem”, revelou um morador da região.

Mais uma vítima de facadas enterrada

O motorista Jorge Vinicius de Araújo Cóccoli, 50, foi assassinado a facadas no bairro Jardim América, e também enterrado nesta sexta-feira em Irajá. O primo da vítima, Tébio Pereira, contou que Jorge entrou em luta corporal com o assassino antes de ser atingido. “Já deveria estar dentro da casa dele. Meu primo tem marcas de facada nas costas e em um dos braços. A casa não tinha sinais de arrombamento. Deram várias facadas nele e não roubaram nada”, desabafou.

Para líderes da torcida Força Flu, da qual Jorge era conselheiro, a morte dele não teria ligação com grupos organizados. “Era querido até por outras torcidas”, disse Waldemar Donizete.

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