Funcionários dos Correios realizam paralisação nesta quinta-feira

Trabalhadores reivindicam contratação de funcionários, melhores condições de trabalho e segurança

Por O Dia

Rio - Funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro (ECT) realizam uma paralisação de 24 horas, nesta quinta-feira, nos complexos operacionais de Benfica, na Zona Norte, de Nova Iguaçu e de Mesquita, na Baixada Fluminense. Ao todo, segundo o sindicato que representa a categoria, cerca de sete mil trabalhadores estão com os braços cruzados. Os Correios negam a adesão de funcionários no movimento.

Segundo a empresa, os empregados trabalham normalmente. "O ato realizado pelo sindicato em frente à unidade está impedindo a saída de veículos de carga", disse a estatal, em nota. A paralisação é coordenada pelo sindicato da categoria, o Sintect-RJ, que reivindica contratação de funcionários, melhores condições de trabalho e segurança.

"Estamos com um déficit de mil funcionários, sendo 900 na área operacional e 100 na parte administrativa. Isto porque a empresa implementou nos últimos anos um plano de demissão voluntário", disse o presidente do sindicato, Ronaldo Martins. Tal informação não foi contestada pela estatal, que disse "empregados elegíveis aderiram voluntariamente" a um "Programa de Desligamento Incentivado". 

Ainda segundo os Correios, desde 2011, foram contratados mais de 20 mil trabalhadores por concurso. "A empresa planeja realizar um novo concurso público e a expectativa é que o edital seja publicado neste ano", afirmou.

Sobrecarga de trabalho

De acordo com Ronaldo Martins, trabalhadores dos Correios estão com sobrecarga de trabalho. "Muitos têm caído doente. As condições de trabalho dentro da empresa são as piores possíveis, com materiais de proteção individuais faltando, como luvas e ventiladores, que não são substituídos quando quebram, nos obrigando a ficar no calor", afirmou.

O presidente do Sintect-RJ também criticou as condições de segurança oferecida pelos Correios aos trabalhadores, denunciou casos de sequestros e lembrou do caso de uma agência que foi assaltada nesta quarta-feira, na Tijuca, Zona Norte da cidade.

"Em dezembro do ano passado, venceu o contrato com a empresa que prestava o serviço de escolta e os Correios não renovou e nem contratou outra. Estamos sendo assaltados nas vias expressas. Muitos funcionários têm sido sequestrados, como ocorreu na semana passada com um carteiro na Zona Norte. Temos um companheiro que foi sequestrado ontem em Campo Grande. Temos companheiros que estão com sequelas psicológicas. Além disso, as agências não têm porta giratória, câmeras de segurança", falou Ronaldo.

Sobre o quesito segurança, a estatal disse que "para proteger seus trabalhadores, clientes e a carga postal, os Correios mantém parcerias com os órgãos estaduais de segurança pública". "No Rio de Janeiro, na sede da empresa funciona o Núcleo de Repressão a Crimes Postais, órgão da Superintendência da Polícia Federal, com atribuição exclusiva de apurar os delitos postais", lembra.

A empresa também se defende das acusações do sindicato alegando que presta assistência médica e acompanhamento psicológico aos profissionais que são vítimas de violência.

"Somos contrários à atual gestão no Rio de Janeiro. Queremos retomar um dialogo com a empresa, mas ela é autoritária, não conversa e força resultados. Queremos conversar com o Márcio Miranda, diretor regional dos Correios. Ou ele desce pra conversar com a gente ou a gente vai ficar aqui por tempo indeterminado e pedir a demissão dele", declarou o presidente do sindicato.

Devido ao bloqueio nas saídas dos complexos operacionais dos Correios, segundo a empresa, parte das encomendas SEDEX e PAC, além de correspondências com destino ao estado do Rio de Janeiro estão sujeitas a atrasos na entrega. "Os Correios realizarão operações especiais no final de semana para regularizar as entregas", finalizou.

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