Cinto é artigo raro no banco traseiro

Passageiros sem o equipamento na parte de trás dos carros são maioria, mas multa a estas infrações é minoria

Por O Dia

Rio - Embora muitas vezes fique esquecido entre o acolchoado dos assentos, o uso do cinto de segurança traseiro pode evitar acidentes fatais para passageiros de veículos. A morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo, possivelmente causada pela falta do equipamento afivelado, chama a atenção de um hábito praticado da maioria dos brasileiros. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em todo o país, 51% das pessoas que viajam no banco traseiro não usam o item de segurança. Já nos bancos da frente, 79,4% dizem seguir a legislação, utilizando o cinto sempre.

Entretanto, a fiscalização é menos eficaz em relação aos passageiros que se sentam no banco traseiro. De acordo com o Detran do Rio de Janeiro, foram aplicadas, em abril (último dado disponível), 890 multas por falta de uso do equipamento traseiro nas ruas do estado. Já a punição em relação à falta de uso nos assentos dianteiros atingiu 8226 no mesmo mês, quase 10 vezes mais.

O taxista Sérgio conta que pede aos passageiros que usem o cinto%2C mas%2C em geral%2C não é atendido. Artur Pacheco (esquerda) disse que passará a usarAlexandre Brum / Agência O Dia

Especialistas confirmam que essa diferença não expressa a realidade dos costumes dos brasileiros, por conta da falta de fiscalização. “As autoridades não educam a sociedade sobre as normas de trânsito e nem fiscalizam o cumprimento das leis. A gente sabe que a maioria das pessoas ignora a legislação do trânsito, mas a falta de fiscalização também contribui”, afirmou Armando Silva de Souza, presidente da Comissão Especial de Acompanhamento e Estudo da Legislação do Trânsito da OAB-RJ.

A dra. Rita Moura, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, alertou que a falta de cinto aumenta o risco de morte para os passageiros do banco traseiro em 75%. Quem está no banco da frente também sofre com a imprudência que vem de trás. “O primeiro risco é ser projetado para fora do carro. Mas, mesmo em baixas velocidades, a pessoa do banco traseiro também pode acabar matando o indivíduo que está na frente, com impactos de mais de mil toneladas”, alertou.

Nas ruas do Centro do Rio , O DIA confirmou a tendência que todos já conhecem: o cinto de é ignorado. “Mesmo que eu oriente o passageiro a usar, ninguém se importa com o cinto atrás, principalmente quando é viagem curta. Muito raro alguém ter essa consciência. Falta educação e fiscalização", afirmou o taxista Sérgio de Souza, de 68 anos.

Multa de R$ 127 por pessoa

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirma que os dados estatísticos em relação ao uso de cinto de segurança podem não refletir a realidade. “Em grande parte dos casos, o local do acidente é parcialmente desfeito para socorro das vítimas antes da chegada da equipe policial. Portanto, algumas vezes acaba sendo ignorada a informação acerca da utilização ou não do cinto de segurança para fins estatísticos”, informou o órgão.

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Em São Paulo, de 2012 até outubro de 2014, 69,4% dos passageiros de bancos traseiros que morreram em acidentes nas rodovias estavam sem cinto de segurança, segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo). O uso do cinto é obrigatório a todos os passageiros em qualquer via do país. A falta dele é infração grave, com perda de cinco pontos na carteira e multa de R$ 127,69 por pessoa. O Denatran não respondeu se realiza campanhas educativas sobre o tema.

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