Projeto de lei quer proibir o foie gras

É a vez do Rio comprar a briga e impedir que fígado gordo de aves seja produzido ou comercializado. Comerciante lamenta

Por O Dia

Rio - Depois da capital paulista, o estado do Rio entrou, nesta quinta-feira, na 'briga' para proibir a produção e comercialização de foie gras. Considerada uma iguaria da culinária francesa, a tradução do nome do alimento ao pé da letra é fígado gordo, que pode ser de ganso ou pato superalimentado. No Rio, o projeto de lei de autoria do deputado estadual Waguinho (PMDB) prevê multa aos estabelecimentos que descumprirem o regulamento. A votação do projeto, porém, deve ficar para o segundo semestre. 

Na justificativa para que a lei seja aprovada, o parlamentar descreve a produção de foie gras. Chamado por ativistas que militam em defesa dos animais de cruel, o processo milenar de gavagem consiste na ingestão ou alimentação forçada das aves para estimular o acúmulo de gordura no fígado dos bichos. O alimento pode ser comercializado inteiro ou em pedaços. 

O deputado destaca que o procedimento é extremamente agoniante para os bichos, que são alimentados com tubos de 30 cm. Segundo ele, a produção já é proibida em 14 países. Em  São Paulo, no dia 17 de maio, os vereadores aprovaram o veto à iguaria e o prefeito, Fernando Haddad (PT), sancionou. 

Comerciante lamenta

O frânces Jeremie Leciercq, um dos donos do Madame Foie Gras, em Ipanema, espera que o projeto não seja aprovado na Assembleia Legislativa. Segundo ele, o produto comercializado por ele e pela mãe, Catherine, tem uma boa saída, principalmente para a Zona Sul do Rio. Nada barata, cada grama da iguaria custa R$1. O Madame Foie Gras vende 100 gramas de 'foie gras' a R$ 100. De acordo com Jeremie, a clientela está decepcionada com a possibilidade da proibição.

"É um produto que faz parte da nossa cultura e também é um modo de apresentar a culinária francesa para os brasileiros. É uma pena. Se a lei for aprovada, nós vamos parar a produção. Seria triste, porque consideramos iguaria fantástica. Além disso, os cariocas adoram."

Colaborou Luisa Bustamante



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