Libertação de PMs rendidos no Fallet partiu de lideranças do tráfico

Criminosos mandaram policiais sentarem no chão e recolheram as armas dos agentes

Por nicolas.satriano

Rio - Seis traficantes armados com fuzis renderam sete policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Fallet, no Catumbi, no fim da tarde desta sexta-feira. A informação foi passada por policiais e moradores da comunidade. Os bandidos teriam mandado os PMs sentarem no chão e xingado os agentes, que tiveram as pistolas recolhidas pelo bando. Segundo policiais, os criminosos só devolveram as armas, sem munição, após receberem ordens dos líderes da facção Comando Vermelho (CV) que, de dentro de uma unidade prisional do estado, mandaram que nenhum PM fosse morto e que as pistolas fossem entregues.

Policiamento é reforçado no Fallet

Em nota, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou que o comando das UPPs determinou a abertura imediata de uma averiguação para apurar denúncia de invasão a uma das bases de apoio da UPP Coroa/Fallet/Fogueteiro. O comunicado confirmou a ação do Bope na favela e ressaltou que nenhum armamento foi roubado e que não houve ataque à base da UPP. Os traficantes do Fallet são investigados em um inquérito da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) há um ano. 

A comunidade do Fallet tem Unidade de Polícia Pacificadora%2C que faz patrulhamento rotineiro nas ruasSeverino Silva / Arquivo Agência O Dia

Segundo testemunhas, os traficantes subiram pela mata até a base avançada Campo do Capitão. A ação criminosa mobilizou moradores e outros policiais militares que, em mensagens pelo WhatsApp do DIA (98762-8248), relataram que houve tentativa de resistência dos PMs da UPP. “Muitos tiros agora no Fallet, policiais encurralados”, escreveu um morador.

“Prioridade, toda a polícia no Fallet”, enviou um PM em mensagem de voz pedindo ajuda para os colegas. Moradores também relataram que aulas foram suspensas e crianças liberadas e que, depois da ação de bandidos, houve confronto no local.

Após devolverem as armas dos policiais, os traficantes teriam mandado um recado pelos policiais rendidos ao comando da unidade: “Nós é que mandamos aqui”. O Fallet foi ocupado no fim de 2010 e recebeu UPP no início de 2011. Em resposta ao ataque, a PM enviou o Bope, que ocupou o morro. Até o fechamento desta edição, não havia relatos de prisões ou apreensões. O policiamento na comunidade foi reforçado também com homens do Grupamento de Intervenções Táticas da UPP, além de agentes de outras unidades.

Homens do 5º BPM (Praça da Harmonia) realizaram, já no início da noite de ontem, um cerco na Avenida Almirante Alexandrino para que os suspeitos não conseguissem escapar da ação no morro pela mata e chegassem à Zona Sul.

Ação de criminosos deixa moradores assustados

Em maio, quatro pessoas morreram e pelo menos cinco ficaram feridas em tiroteios na região dos morros do Fallet, Fogueteiro e Coroa. Nos quatro primeiros anos depois da chegada da UPP nas localidades, apenas três homicídios foram registrados nas comunidades. A mudança de cenário assusta os moradores.

“A violência tem aumentado muito, com relatos da guerra por disputas de pontos de (venda de) drogas e ataques aos policiais. Está difícil viver aqui”, desabafou uma moradora, de 58 anos, que pediu anonimato.

Em um dos casos de maio, Diego Luniére, de 22 anos, foi vítima de bala perdida no confronto entre traficantes de facções rivais. Diego foi baleado no pescoço na comunidade do Fallet, onde morava com o pai, no domingo do Dia das Mães. Na ocasião, desolada, a mãe do rapaz, Nilce Rodrigues, garatiu que o filho não tinha envolvimento com a criminalidade.

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