Inquérito culpa PM por morte de adolescente na Favela da Palmeirinha

Sargento admitiu que fez disparos, mas teria mentido ao prestar esclarecimentos no inquérito

Por O Dia

Rio - Inquérito Policial Militar, encerrado na quinta-feira, concluiu que o sargento Ricardo Vagner Gomes, do 9º BPM (Rocha Miranda), foi o principal culpado pelo assassinato de Allan de Souza Lima, de 15 anos, no final da noite do dia 20 de fevereiro deste ano, na Favela Palmeirinha, em Honório Gurgel. Na ocasião, toda a ação foi filmada com o celular do próprio Allan, que, agonizando, manteve o aparelho ligado.

Ricardo, além de perder o porte de arma e a carteira funcional, também responderá por ter, conforme o IPM, forjado a apreensão de uma pistola 380 e um revólver 38, “entre cinco e dez metros” de onde os dois jovens foram alvejados; por ter mentido ao prestar contas do número de balas que disparou naquela noite (11 projéteis de fuzil 556, ao invés de cinco, declarados pelo sargento na Ficha de Consumo de Munições); e por não ter dito a verdade ao prestar esclarecimentos durante o inquérito, alegando que teria reagido a supostos disparos feitos por traficantes.

Ricardo perderá o porte de arma%2C a carteira funcional e vai responder por forjar apreensão de pistolaCarlo Wrede / Agência O Dia

Prevaricação 

Segundo o boletim interno, de número 112, outros quatro PMs — três do mesmo batalhão e um do 2º BPM (Botafogo) —, dos nove envolvidos no caso, também serão submetidos ao mesmo conselho, por terem prevaricado, omitido e distorcido informações sobre o fato, descumprido ordem superior e feito incursão na comunidade, mesmo sem permissão, e acobertado as atitudes de Ricardo. São eles: o tenente Paulo Rodolpho Batista de Oliveira; o cabo Carlos Eduardo Domingues Alves, e os soldados Luis Gustavo Rodrigues Antunes e Allan de Lima Monteiro. As investigações ao longo do inquérito foram baseadas em imagens de viaturas, do celular da vítima fatal, e depoimento de testemunhas.

“Com sua ação açodada, imprudente e não autorizada (referindo-se ao sargento), inobservando determinação clara e precisa para somente basear a viatura ao invés de incursioná-la, deu azo (chance) para que uma fração da equipe, em suposto confronto, viesse a lesionar fatalmente Alan e ferir Chauam. Sendo certo que ambos não portavam armas e nem drogas e muito menos houve disparos contra a viatura”, diz trecho do relatório, que classifica do episódio como Ação desastrosa.

Câmeras nas viaturas filmaram ação

O procedimento instaurado para apurar responsabilidades no caso constatou que a ação que culminou com a morte contou com um veículo blindado, e duas viaturas com câmeras. Os dispositivos flagraram o momento em que o sargento Ricardo, único a confessar que efetuou disparos, após levar as vítimas para o hospital, apareceu com uma pistola nas mãos e recebeu um revólver do cabo Carlos Eduardo Domingues Alves, que sustentou ter ouvido supostos tiros contra viaturas.

Os integrantes do IPM afirmam que as imagens mostram Ricardo, ao juntar as duas armas “para proveito próprio”, entregou-as ao soldado Allan de Lima Monteiro, dizendo: “Segura aqui Monteiro. Vê se tá na câmara. Tira. Esfria essas armas aí” (sic.). Conforme especialista, no jargão policial, o tambor do revólver e ao pente da pistola, não deveriam conter balas, para impedir possíveis confrontos balísticos posteriormente. Outros PMs disseram não terem presenciado o encontro de armas no local do crime.

Ricardo tem, em suas fichas Disciplinar e Judiciária, anotações referentes a processos, averiguações, e punição disciplinar, “por ter descumprindo normas pertinentes à preservação de locais e por prestação de declarações dúbias em juízo e em sede de IPM.”

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