Marcelo Freixo cobra explicações da Polícia Civil sobre agressão a jovens

Deputado enviou ofício à Corregedoria da instituição e classificou de 'desproporcional' a atitude dos agentes

Por O Dia

Rio - O deputado estadual e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, Marcelo Freixo (Psol), enviou ofício nesta segunda-feira à Polícia Civil cobrando explicações sobre a abordagem de policiais civis a três adolescentes que brigavam em frente ao Shopping da Gávea semana passada.

O parlamentar classificou a atitude dos agentes de desproporcional e quer saber quem são eles e que providências a instituição tomou. É que, segundo Freixo, eles prevaricaram (crime cometido por funcionário público quando, indevidamente, este retarda ou deixa de praticar ato de ofício, ou pratica-o contra disposição legal expressa, visando satisfazer interesse pessoal).

Segundo testemunhas, os jovens estavam brigando, mas houve quem afirmasse que seriam bandidos e que estariam assaltando na região. Câmeras flagraram o momento da abordagem. As imagens mostram os policiais apontando armas para os adolescentes que se ajoelharam e pararam de brigar. Já dominados, um homem aparece e dá um chute nas costas de um dos jovens e tenta atacar o outro. Apesar de presenciar a ação, os policiais nada fazem para impedir as agressões e muito menos prendem o homem.

Tudo aconteceu aos gritos dos pedestres de "mata, mata, pode matar", "tem que bater mesmo" e "isso é raça ruim", que pediam aos agentes assassinassem os rapazes, negros e moradores da Rocinha.

Menores brigaram em frente ao Shopping da Gávea e foram confundidos com bandidos%3B um senhor chegou a chutar um dos adolescentes%2C que já estava imobilizado por policiaisReprodução TV / GloboNews

“Foi um episódio muito grave. A abordagem foi desproporcional e mostrou o total despreparo e preconceito da polícia porque os jovens são negros. Os garotos não estavam cometendo crime nenhum e foram expostos de forma vexatória. Quero saber se a Polícia Civil está apurando o caso porque ali houve lesão corporal, prevaricação e preconceito por parte dos policiais que não impediram a ação e nem prenderam o homem que agrediu os adolescentes”, criticou Freixo.

Prevaricação e lesão corporal foram dois dos três crimes citados pelo colunista do DIA Fernando Molica desta segunda-feira. O texto fala ainda da incitação à violência praticada pelos pedestres ao pedirem a execução dos rapazes.

Integrante da Comissão de Segurança Pública da OAB-RJ o advogado criminalista Breno Melaragno analisou a conduta dos agentes. "A ação foi necessária, mas aconteceu de forma inadequada. E é muito claro que o homem que agrediu os adolescentes teria que ser preso e não foi, por isso eles podem responder por prevaricação. Cabe nesse flagrante uma ação penal e outra administrativa", explicou Melaragno. "Sem dúvida os pedestres praticaram o crime de incitação à violência, mas é preciso analisar se os policiais tinham condições de prendê-los e levá-los à delegacia", finalizou o criminalista.

O DIA ?questionou a Polícia Civil sobre a cobrança do deputado e acusações de prevaricação. De acordo com a delegada titular da 14a DP (Leblon), Monique Vidal, um adolescente é investigado por fatos análogos a tentativa de lesão corporal, lesão corporal, resistência, desacato e desobediência, outro por lesão corporal, e um maior por lesão corporal. Todos os menores envolvidos foram encaminhados para exame de corpo de delito. Três pedras usadas pelos adolescentes foram apreendidas. As imagens das cameras de segurança do local foram solicitadas e 15 pessoas ouvidas. Ao tomar conhecimento de outro envolvido no fato, a autoridade policial instaurou procedimento para identificá -lo.

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