Menino e copeira são baleados em ataque de bandidos a PMs na Nova Brasília

Fátima Aparecida Gomes de 27 anos, foi atingida no peito na varanda de casa quando ia chamar os filhos na rua. Já o garoto Vitor, 11, voltava do futebol e foi ferido na perna

Por O Dia

Rio - Um adolescente de 11 anos e uma copeira de 27 foram baleados no fim da noite desta quarta-feira, na localidade conhecida como Praça do Terço, na Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão. De acordo com o delegado da 22ªDP (Penha), Carlos Eduardo Rangel, PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade foram atacados a tiros por traficantes e ficaram encurralados durante a madrugada. As duas vítimas estão internadas no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. A PM ainda não se pronunciou sobre o incidente.

Cida%2C 27 anos%2C foi baleada na varanda de casa na Favela Nova Brasília%2C no Complexo do AlemãoLeitor WhatsApp O DIA (98762-8248)

Segundo o delegado, que esteve no hospital, Fátima Aparecida Gomes de Oliveira, de 27 anos, conhecida como Cida, foi baleada na varanda de casa, por volta da meia-noite, quando saiu para procurar os filhos de 10 e 11 anos que brincavam na rua quando começou o tiroteio. A comerciante de 41 anos, que pediu para não ser identificada, contou que foi em auxílio a irmã após ouvir seus pedidos de socorro. Ela afirma que viu apenas os PMs da UPP Nova Brasília atirando.

"Estava no quarto quando escutei muitos tiros e ouvi minha irmã gritando muito, chamando meu nome. Não pude sair porque ela mora do meu lado. Quando parou um pouco a vi caída na varanda com um tiro no peito. Agora queremos sair de onde saiu isso (tiro). Avistei quatro policiais. Só eles dando tiro. Aliás, dando tiro no vento, que acertou minha irmã", acusou a comerciante, que tem um estabelecimento no local. Segundo ela, os disparos duraram cerca de 15 minutos e várias crianças brincavam na rua.

Ainda de acordo com Carlos Eduardo Rangel, o menino, identificado apenas como Vitor, voltava de um jogo de futebol em um campo na própria comunidade, quando foi baleado na perna. Ele sofreu uma fratura exposta e seu estado de saúde era considerado estável. O delegado disse que Cida foi ferida no lado direito do tórax, estava lúcida e aparentemente em estado estável, mas não pode falar sobre ocorrido por orientação médica. Ela teria sofrido uma lesão pulmonar. As duas vítimas aguardavam para serem operadas durante a madrugada.

"Foi um ataque gratuito de traficantes, num horário de troca de turno, de desmobilização dos policias. Eles estavam indo para a base da UPP, quando foram atacados em um terreno próximo. A equipe ainda está encurralada e ainda há troca de tiros no local", disse o delegado Carlos Eduardo Rangel ao deixar o Getúlio Vargas, por volta das 3h.

Carlos Eduardo revelou ainda que o socorro das vítimas foi feito inicialmente por moradores. As vítimas tiveram que ser levadas até a ambulância do Corpo de Bombeiros por uma escadaria, devido ao difícil acesso ao local. Os cerca de 10 PMs também não conseguiram sair de onde estavam abrigados. Os bandidos se posicionaram estrategicamente na localidade, o que impedia que os policiais se deslocassem, sendo alvos constantes de disparos.

Com um sentimento de revolta, a comerciante disse que não é a primeira vez que são registrados confrontos na Nova Brasília e que a rotina dos moradores é de medo na região. Ela contou que a violência mudou sua rotina e que só trabalha no comércio, em que é dona, nos fins de semana. Ela afirmou que os filhos são traumatizados e choram e correm ao ouvirem disparos.

"A única lembrança que tenho hoje é da minha irmã me gritando, pedindo socorro. Pra que ficar dando tiro no vento, ou no chão?", questionou, se referindo ao policiais da UPP. A comerciante disse que Fátima Aparecida trabalha nas obras de ampliação do Aeroporto Internacional Tom Jobim. Ela aproveitou para criticar o projeto das UPPs.

"Não tenho nenhuma mensagem a deixar para as autoridades. Só queria pedir ao governador para me ensinar a fazer maquiagem. Porque foi o que ele fez na comunidade", disse.

Parentes das vítimas e PMs serão ouvidos na 22ªDP, mas o caso será encaminhado posteriormente para a 45ªDP (Alemão), responsável pelas ocorrências no Complexo do Alemão.

Últimas de Rio De Janeiro