Mais de 5 mil carros estão à espera de seus donos em depósito do Rio

Faltam policiais civis para novos depósitos do Pátio Legal que podem desafogar a unidade de Deodoro

Por O Dia

Rio - Dez anos depois de criado no Rio, o Pátio Legal, projeto pioneiro no Brasil, já entregou aos seus proprietários pelo menos 172 mil veículos, o equivalente a dois por hora. Para o pátio de 40 mil metros quadrados, em Deodoro, na Zona Norte, são levados os carros roubados e furtados e recuperados pela polícia no Rio e em 17 municípios da Região Metropolitana. 

Pátio Legal em Deodoro%2C na Zona Oeste%2C abriga mais de 5 mil veículos abandonados por proprietários com acúmulo de dívidas de multas e IPVA Estefan Radovicz / Agência O Dia


Mas o único depósito usado para este fim, que acabou com o acúmulo de veículos nas portas de delegacias e batalhões, está superlotado, com mais de 5 mil veículos abandonados pelos donos, por conta de acúmulo de multas e IPVA atrasados. A expansão do sistema, porém, está com a roda presa na burocracia do estado.

O Sindicato das Seguradoras do Rio e Espírito Santo (Sindseg), responsável pelo pátio, por meio de convênio que envolve ainda a Federação Nacional das Seguradoras, a Secretaria de Segurança Pública (Seseg) e o Departamento de Trânsito (Detran), e que se renova a cada cinco anos, já tem mais dois pátios —um deles, entre Niterói e São Gonçalo, já pronto, e outro em Campo Grande, na Zona Oeste, que poderá entrar em operação em agosto —, mas a Polícia Civil, segundo a entidade, não tem agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) disponíveis para integrar postos da especializada nos novos endereços. Seriam necessários uns dez policiais.

Com o carro roubado em Maricá%2C Júlio Avellar teve que percorrer 80 quilômetros para recuperar o veículoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Outro problema, segundo Roberto Santos, presidente do Sindseg, é relativo aos leilões de carros abandonados por mais de 90 dias, conforme a legislação, que antes eram realizados mensalmente, mas, há dois anos, foram suspensos pelo Detran. “Só dependemos de soluções rápidas para esses entraves para facilitar ainda mais a vida de quem é vítima de roubo e furto de veículos”, diz Roberto, ressaltando que só o pátio recém-construído às margens da Rodovia Niterói-Manilha, tem 4 mil metros quadrados de área. O de Campo Grande tem 160 mil metros quadrados, quatro vezes maior que o de Deodoro. 

Órgãos não esclarecem motivo da paralisação de leilões no Pátio Legal

Questionados, órgãos competentes não responderam o motivo pelo qual os leilões de carros abandonados no Pátio Legal de Deodoro estão paralisados há dois anos. O Detran alegou, em uma única linha em nota oficial, que não faz mais parte do convênio do sistema que opera o pátio.

A assessoria da Secretaria estadual de Fazenda explicou que não tem ingerência sobre leilões. A Secretaria de Segurança alegou que caberia à Polícia Civil falar sobre leilões e sobre policiais da DRFA, que deveriam ser destinados ao Pátio Legal. A Polícia Civil, por sua vez, garantiu que a realização de leilões não é com a corporação, e que a DRFA estaria fazendo levantamento de quantos agentes serão necessários para atuar nos novos pátios.

Atualmente, toda a operação do Pátio Legal envolve 70 funcionários diretamente e mais de 300 indiretos, contando com reboquistas de seguradoras. Em 20 postos de atendimento no local, 60 policiais civis da DRFA se revezam em turnos diários. Eles controlam e agilizam todo o processo de recuperação e restituição dos veículos, por meio de um sistema integrado ao banco de dados das Delegacias Legais. 

Vítimas de roubo lamentam a distância

“Fui vítima de assalto e ameaçado de morte por bandidos, que levaram meu Palio há duas semanas, em Maricá. Localizar o carro foi fácil, mas tive que me deslocar mais de 80 km até Deodoro para retirá-lo do depósito”, lamenta o engenheiro X., de 47 anos. Ele é uma das 23 pessoas que diariamente têm veículos roubados ou furtados nas áreas do 7º BPM (São Gonçalo) e 12º BPM (Niterói), segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), e que poderiam ter o sofrimento amenizado com o pátio de sua região funcionando.

De janeiro a maio, nas regiões vinculadas ao Pátio Legal, 18.238 mil veículos — apenas 1,9 mil a menos que no mesmo período em 2014 — foram levados por bandidos. Pouco mais da metade foi recuperada e encaminhada ao Pátio Legal. Ao localizar carros roubados ou furtados — que antes ficavam empilhados nas portas de delegacias e batalhões, dificultando a localização pelos donos e provocando doenças na comunidade, como a dengue —, a polícia entra em contato com a central de atendimento do Pátio Legal. Um reboque é enviado ao local.

Nos últimos dez anos, o Sindseg desembolsou R$ 60 milhões na operação do depósito de Deodoro. “A administração investe muito, mas também lucra, uma vez que recebe carros mais inteiros para ser levados a leilão, onde são mais valorizados”, detalha Júlio Avelar, administrador do pátio.

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